“I put the grrr in swinger, baby!”, responderia o personagem Austin Powers. Seria como um pacto demoníaco, apostaria Screamin’ Jay Hawkins. Mostraria como é uma visita à Louisianna, cantaria Muddy Waters. Jogaria um feitiço no leitor, repetiria Nick Cave.
Três acordes, variações de ritmo, letras mágicas, escalas sob medida, virtuosismo dos músicos, não importa. They got their mojo working. O disco perfeito exala um tipo de magia que não entra só pelos ouvidos, mas toma sua alma emprestada pelo tempo de algumas faixas. E o pacto de encruzilhada, aqui, é feito citando nomes da cultura pop.
Agora, esse feitiço poderoso transforma-se em literatura. Se um disco pudesse ser convertido em palavras, que história que ele contaria?
Com essa proposta surge a coleção MOJO BOOKS, lançada pela revista Speculum. Embebida em cultura pop, a coleção propôs um desafio a seus autores: extrair o mojo de um álbum musical e recontá-lo em ficção literária.
Narrativas variadas, com amores, brigas, violência — por vezes tristes como algumas canções ou com o ritmo ágil de um bom rock n´roll — estão espalhadas pela coleção.
A MOJO BOOKS tem edição mensal, totalmente gratuita, e foi criada para o ambiente digital — seus volumes podem ser baixados em formato PDF.
“A internet é um dos espaços mais valiosos para a cultura pop. Então, foi um caminho natural escolher esse suporte para veicular o projeto”, diz Danilo Corci, organizador da MOJO BOOKS, sobre a escolha do formato para a coleção. “Além disso, sempre acreditei que um bom disco pode ser lido, em todos os detalhes, para além da óbvia alusão às letras. Com isso, fizemos a proposta e os autores aceitaram o desafio de tentar capturar o mojo desses álbuns trabalhá-lo para se transmutar em boa ficção pop. Cabe ao leitor nos dizer se foi ‘fisgado’ pelos acordes literários ou não. Esperamos que sim.”, prossegue.
Os primeiros quatro volumes serão lançados no próximo dia 2 de dezembro e trazem Technique, do New Order, revisto por Ricardo Giassetti, #1 Record, do Big Star, ficcionado por Luiz Cesar Pimentel, Black Celebration, do Depeche Mode, recriado por Danilo Corci e In It for the Money, do Supergrass, recontado por Delfin.
Para 2007, Doolittle, do Pixies, Grace, de Jeff Buckley, Thriller, de Michael Jackson, Dummy, do Portishead, Pet Sounds, do Beach Boys e The Velvet Underground & Nico são apenas alguns dos discos que mergulharão no caldeirão literatura pop. Sempre com muito mojo, é claro.