Janelas abertas. Sereno fino lá fora. O vento é pouco, mas suficiente para balançar as cortinas.
Ela, deitada na cama ao meu lado. Eu, sentado à cabeceira, acaricio seu longo e ondulado cabelo negro.
Ela fita meus olhos marejados (não por sua causa, não mais, não ainda…), como se quisesse enxergar além do que se pode ver de imediato.
- De que você tem mais medo?
- Medo? Não sei… de fracassar, talvez.
- Mas fracassar em que sentido?
- Fracassar na vida. Ser medíocre, com um emprego medíocre, uma vida medíocre…
- Poxa, mas você é inteligente, você tem capacidade e…
- Mas não é só isso. Não é só emprego, dinheiro…
- O que mais?
- Sentimentos. Relações. Ficar longe – em todos os sentidos – da pessoa que eu amo, não saber reagir…
- Calma. Eu estou aqui.
- Mas não como eu gostaria.
- Hey, tá tudo bem! Espera… já ouviu falar que tudo tem seu tempo? Tudo vai dar certo. “O que é seu tá guardado”. Tudo tem sua hora.
Como alguém que me conhece tão bem ou mais do que eu, ela sempre sabe o que dizer. Eu que muitas vezes não entendo.
- Acho que nunca vou conseguir te esquecer.
Ela, muda, sorri, desvia os olhos, aperta minha mão.
Lá fora agora chove. E o som do vento e da chuva vem no momento em que, em um filme, a música tema chegaria ao refrão.
Abril 29, 2007 às 2:11 pm |
lindo *-*
Abril 29, 2007 às 2:23 pm |
Engraçaado como ela está sempre presente.
Abril 29, 2007 às 8:01 pm |
né?