- Aqui, você malha?
- Aham. Nem parece, né?
- É, não parece…
O ônibus da linha 867, com saída da pequena rodoviária de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, parte às 7h55 com destino à Barra de Guaratiba, levando em seu interior os habituais farofeiros de final semana. Gordas de biquini e canga, adolescentes anabolizados, garotas de pírci no imbigo, de pele queimada (no alto da laje) desde a última quarta-feira, pelinhos descoloridos à amônia e cabelos – naturalmente – loiros.
Claro, algumas pessoas devem destoar da maioria. E de fato destoam. Ali está a senhora com óculos fundos-de-garrafa, lendo versículos em sua velha bíblia desbotada, e aqui está o jornalista recém-formado (e desempregado), magro e despenteado, ao lado de sua amiga pequena, magra e com cara de sono (que sabiamente esconde os olhos inchados por trás de seus óculos escuros). E pela palidez de ambos, de longe se pode perceber que a palavra praia não deve ter sido pronunciada por nenhum dos dois nos últimos tempos.
Com a chegada ao ponto final (muitos “cálega”, “é nóis”, “pobrema é meu” e “sá parada” depois), a maioria dos passageiros simplesmente pula da calçada para a areia. Alguns forram sua toalhas e cangas no chão, prontos para uma manhã de sol intenso, outros ocupam seus lugares às mesinhas dos quiosques, sedentos, às 9 da manhã, pela primeira das muitas latinhas de cerveja vagabunda que pretendem sorver ao longo do dia. A minoria (de um lado um grupo formado por um garoto com menos de dez anos, dois caras grandes portando varas de pesca e um gordinho encarregado de levar a caixa de isopor com as bebidas do dia, e, do outro, o magrelo despenteado e magrela baixinha), porém, segue adiante.
O caminho, que começa com um lance íngreme de escadas cimentadas, aos poucos se transforma em uma trilha de terra e pedras. Sobes e desces e “cuidado pra não escorregar aqui” à parte, não se trata de uma caminhada complicada. Considerada por especialistas como uma trilha de dificuldade moderada, qualquer pessoa sóbria e com o mínimo de preparo físico – capacidade de respirar e joelhos firmes – pode se aventurar por ela.
A primeira atração para quem segue por esse caminho é a Praia do Perigoso. Lá embaixo, uma meia dúzia de coloridos guarda-sóis, alguns pseudos-surfistas. Mas todos seguem até alcançarem, mais à diante, a bela Praia do Meio.
Mais guarda-sóis coloridos, saudáveis aventureiros apertando alguns, uma pincher fêmea latindo e correndo de um lado ao outro, alunos de uma escola de surf no Recreio, Pedro Neschling – com seu ridículo bigode – fazendo trilha, grandes ondas arrebentando. Uma praia semi-deserta há pouco mais de uma hora da barulhenta urbe, seus “cálegas”, “pobremas” e suas cervejas baratas (aliás, longe de qualquer tipo de cerveja – e talvez esse seja o único ponto-fraco do local –, mas nada que uma caixa de isopor, como a do precavido gordinho, não possa resolver).
Mergulhos, caminhadas e fotografias. Quatro horas e tantas depois, o magrelo despenteado e magrela baixinha, depois de trocarem o adjetivo “pálidos” por uma pele mais vermelha que morena, resolvem voltar. E, alheios ao fato de terem acordado cedo, alheios aos ônibus cheios fedendo a suor e cerveja choca, trazem no rosto largos sorrisos por um domingo que valeu a pena.


Setembro 18, 2007 às 6:30 pm |
Cara, bonito o lugar mesmo, hein?
nem da para acreditar que eh no Rio … (se bem que eh longe do centro urbano)
Setembro 18, 2007 às 6:39 pm |
Amanhã tem a revanche pseudo cult saradão!
Outubro 5, 2007 às 6:07 pm |
Cara, vc já se viu no espelho pra falar do bigode do Pedro Neschling?
Outubro 5, 2007 às 7:10 pm |
já.
o meu bigode é tão feio quanto o dele.
por isso eu não uso.
Outubro 5, 2007 às 7:24 pm |
O Pedro Neschling é um gostosinho, mas de bigode fica parecendo um camarão! =///
Nem todos podem se dar ao luxo de usar bigode, nem o Gianechini pode!
Mano, por favor! Não use bigode! Ahahahahahahahahahahhaa!
;*