Wolfe

Nos anos 60, um famoso escritor reúne, sob sua liderança, um grupo extravagante, autodenominado Festivos Gozadores, que acreditava ter uma missão na terra: difundir o uso do LSD, ainda pouco conhecido, como instrumento para abrir as portas da mente. O psicodelismo, a rebeldia hippie, o idealismo da revolução cultural que marcou a segunda metade do nosso século são descritos com a ironia típica de Tom Wolfe, recriando através de uma linguagem alucinógena toda a vertigem daqueles anos. Publicado pela primeira vez em 68, O teste do ácido do refresco elétrico foi escrito no calor dos acontecimentos. Logo depois que Ken Kesey, o autor de Um estranho no ninho, se torna um fugitivo da Justiça e parte para o México com seu grupo visionário. O repórter Tom Wolfe sai à cata de uma boa história e depara com um retrato da época, com seu endeusamento das drogas e ruptura moral. O olho clínico de Tom Wolfe revela, por trás da aventura dos jovens revolucionários, a derrocada daquele idealismo quando obrigado a enfrentar o mundo real. Mas deixa transparecer uma dose de simpatia pelas fraquezas daqueles personagens, inebriados com a vida quando ainda não havia sido decretado que o sonho acabou.

[Sinopse de O Teste do Ácido do Refresco Elétrico, de Tom Wolfe]

…………………..

Tom Wolfe é, atualmente, meu autor favorito (pelo fato de que tem sido o que mais tenho lido nos últimos tempos, o que não significa que meu gosto por sua obra supere – só para ficar no âmbito do jornalismo literário – o gosto por gente como Truman Capote e – ok! – Hunter Thompson, entre outros).

Admito que conheci os textos do cara tardiamente. Apesar de conhecer seu nome há tempos (desde quando esse tal de New Journalism começou a me chamar a atenção, há alguns anos), foi somente com um exemplar emprestado de Radical Chique e o Novo Jornalismo (tnx Mr. Pedrosa) mais pro começo desse ano que consegui entender o motivo pelo qual o coroa-do-terno-branco tem tanta moral assim no meio (moral suficiente para ter um manifesto escrito no começo dos anos de 1970 explicando afinal do que se tratava o “novo jornalismo”, que nem era tão novo assim). Depois, vieram ainda A Fogueira das Vaidades e A Palavra Pintada (qualquer hora eu devolvo, Fred!), além de Ficar ou Não Ficar (que, aliás, ainda nem acabei de ler).

O que mais admiro em Wolfe é sua capacidade de narrar o texto a partir da perspectiva de um determinado personagem, mudando a forma dessa narração a medida em que muda o personagem em foco no momento. Depois, a deliciosa ironia, não puramente cagada-nonsense-provocativa como a de Gonzo Thompson, mas de uma maneira peculiar (você não sabe o que quero dizer sobre a ironia de Tom Wolfe até LER algo de Tom Wolfe). Depois, mas não menos importante, o texto, a forma do texto, com todas as suas interjeições e… hmmm… pontuações, que são, de uma maneira quase mágica, capazes de lhe fazer saber exatamente como aquilo seria falado (na verdade, o jornalista diz que a pontuação, para ele, mais do que servir para a leitura, tem que fazer com que o leitor entenda como o personagem – ou o narrador, que seja – pensou aquilo que ali está escrito, como se formou aquela determina idéia). Três características que permitem que o Balzac do New Journalism seja rotulado simplesmente como “genial”.
belo terno, Toninho!

Tom Wolfe, no Brasil, é editado pela Rocco (com excessão de Radical Chique & o Novo Jornalismo, da Companhia das Letras) – aquela mesma que ganha rios de dinheiro vendendo as cagadas exotéricas de um certo mago brasileiro que faria melhor se simplesmente voltasse para a cartola de onde saiu e nunca mais aparecesse. Tem por aqui uns 10 ou mais títulos lançados, e a maioria relativamente fácil de ser encontrada em sites de megastores.

O meu conselho – e essa é a parte mais importante desse texto – é que você, o quanto antes, dê uma olhada no site das Lojas Americanas, e aproveite. Afinal, não é todo dia que se pode comprar O Teste do Ácido do Refresco Elétrico por R$34,90 (contra R$48,50 na Saraiva), Radical Chique e o Novo Jornalismo por R$9,90 (contra R$41,00!), Emboscada No Forte Bragg por R$14,50 (contra R$21,00), Um Homem Por Inteiro por R$37,90 (contra R$58,50) e, para parar por aqui, Ficar ou Não Ficar por R$21,90 (e que eu, há um mês, comprei na Saraiva por R$32,00). Infelizmente, não tenho dinheiro para arrematar a todos de uma só vez (espero que eles ainda estejam por lá quando eu tiver algo mais em caixa!), mas não pude resistir ao Teste (…) e ao Radical Chique (…), o primeiro, por ter me chamado a atenção desde quando li a sinopse pela primeira vez, e o segundo por ser simplesmente indispensável para qualquer estudante de comunicação que pretende, de alguma forma, não ser apenas mais um jornalista incolor, escravo dos padrões enlatados.
O Teeeeeeeeste!

Vai por mim, cara… olha o site direitinho, compra o que puder.

Se não quiser pra você, pode comprar para mim. Eu não ligo. Aceito de bom grado.

ps.: o autor desse texto garante que não recebeu nenhum trocado pela propaganda do site em questão.

5 Respostas to “Wolfe”

  1. Nina Says:

    Agora é acostumar a vir nesse endereço neh! =] Que fique melhor assim!
    Bjão!

  2. Luís Ziggy Pop Says:

    Fala, JW.

    Aê, só um toque… “Radical Chique” saiu pela Rocco no Brasil também, acho que em 1994 ou 1995… Saiu num volume único com “O Terror dos RP’s”. Pode confiar! Um abração!

  3. JW Says:

    sei disso, Ziggy! o que eu disse foi que só essa versão de “RC e o Novo Jornalismo” (sem ser “RC e o Terror das RPs”) saiu pela Cia das Letras.
    mas valeu o lembrete assim mesmo! =)

  4. Jonas Says:

    Na verdade a Rocco perdeu o mala-mor para a Planeta há pouco tempo. Acho que esse mês ainda sai a nova obra-prima dele.

    Do Wolfe meu favorito é Os Eleitos, que comprei por dez pilas na Cultura do Conjunto Nacional. Dos romances eu ainda prefiro Um Homem Por Inteiro a Fogueira das Vaidades (que também é bom); só acho que ele nunca termina bem os romances. E o Charlotte Simmons achei bem fraco.

  5. Jorge Wagner Says:

    grato pela informação, Jonas!
    dos romances, li apenas Fogueira das Vaidades , mas vi críticas bem desfavoráveis ao Charlotte Simmons mesmo.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: