Não, meu senhor… NÃO é turismo!

– Bom dia. Uma piauí, por favor.
– Ein?
– Hmmm… aquela revista ali.
– Ah, tá! É de turismo?
Nããão… não mesmo!
– Pensei.
– É. Acho que todo mundo deve pensar, pelo menos ao ouvir o nome.
– Só essa capa estranha que me deixou na dúvida.
– É. Um pingüim socialista sobre uma geladeira vermelha não tem muito a cara de uma revista sobre o Piauí…
– Seu troco.
– Valeu. Bom dia aí.
*********
essa geladeira é cláááássica!

Definitivamente… NÃO é turismo. Também não é fofoca. E nem panfleto tucano ou vermelho disfarçado de revista “séria”, “isenta” e… (sempre esse maldito discurso inocente e romântico…) “imparcial”.
Nada de belas praias. Nada sobre a medíocre-porém-glamurosa vida das celebridades de rosto de cera e sorriso de plástico. Nada – e eu disse N-A-D-A – sobre escândalos políticos.

Pelo contrário.

Como o próprio manifesto da publicação propõe (ver “apresentação” no site da revista), lá está a “importância ao que, por ignorado, é tido como insignificante” e as “novidades no que, por esquecido, parece velho e ultrapassado”. Lá está “Bom-dia, meu nome é Sheila” (reportagem sobre “o que se aprende nos cursos de telemarketing” escrita por Vanessa Bárbara depois de um mês como VÍTIMA de um desses cursos). Lá está Ivan Lessa, escrevendo sobre suas impressões ao voltar ao Rio de Janeiro depois de 28 anos morando em Londres (“Cadê as bundudas? Cadê o arrastão?”). Lá está “a vida breve e a queda mortal de José Roberto Santos, trabalhador da construção civil”.

Lá pode até não estar aquilo que você procura, mas certamente está aquilo que vai lhe surpreender. E a surpresa, meu amigo… a novidade alcançada ao ACASO… é sempre fundamental.

Uma rápida busca no google e logo você descobrirá que muitos são os que torcem a favor da Revista piauí. E que muitos desses também temem que essa AVENTURA de João Moreira Salles – sem comparação com absolutamente nenhuma publicação do atual mercado editorial brasileiro – seja algo que vá virar poeira em pouco tempo. Pois então, segundo matéria de Sérgio Rodrigues publicada no No Mínimo, é aí que vem a boa notícia: a quase-porém-não-muito “New Yorker brasileira”, a tudo-bem-mas-não-exagere “Realidade versão 2000”, tem, segundo João, “pelo menos dois anos, dois anos e meio” de fôlego financeiro.

Jãozin!

Deus te abençoe, João Moreira!

4 Respostas to “Não, meu senhor… NÃO é turismo!”

  1. Flávio Rios Says:

    hehe… essa de revista de turismo é ótima, não passei por nada assim, mas tive muita dificuldade em explicar p/ amigos o q era a revista, normalmente a melhor saída era emprestar a revista e esperar por comentários…

    ah, no blog do Nelson Sá no UOL (Toda Mídia) saiu uma notinha meio invejosa sobre a revista…

    O post ficou legal.

  2. André Julião Says:

    Dois anos, dois anos e meio! Fantástico! Tinham me dito que o tempo que a revista aguentaria sem lucro seria de um ano. Então, pelo menos 24 edições já temos garantidas.

  3. Só rindo mesmo « Um baiano em Campinas Says:

    […] Não chegou por aqui, por isso ainda não li a piauí. A não ser este perfil curto de Roberto Jefferson feito por João Moreira Salles e reproduzido no supracitado NoMínimo. Vale também o artigo de Sérgio Rodrigues sobre a revista. E chega de escrever sobre uma revista que nem li! Ah, as dicas são do JW (que já comprou a dele). […]

  4. Eduardo Tetera Says:

    Nelson Rodrigues ficaria orgulhoso…

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: