Archive for outubro \21\+00:00 2006

fim de semana inativo

outubro 21, 2006

O grande problema ao escrever uma monografia é que, por mais que você goste do assunto tratato, não há a menor possibilidade se demonstrar empolgação diante da obrigação de se manter sempre atento às normas da escrita “culta” e “formal” (leia-se “chata”).

Manter um trabalho inteiro, com suas dezenas de páginas, com um ar sisudo (ou “pescoçudo”, como diria meu amigo Julio Boêmio, ou ainda “rocambolesco”, como diria o Cardoso), não é, nem de longe, uma das coisas mais animadoras do mundo.

Ainda estou redigindo o primeiro capítulo.
Tudo bem.
Tenho muito tempo para me acostumar com essa pasmaceira pseudo-intelectual.

toques de jornalismo literário na RSB#01

outubro 20, 2006

Parceiros no Crime. Era esse o tipo de matéria que eu esperava encontrar quando escolhi a Rolling Stone Brasil como um dos objetos de estudo do meu projeto de pesquisa.

O jornalista Claudio Tognolli, por conta da reportagem, já está recebendo elogios em seu scrapbook no orkut (inclusive deste que vos escreve). “Jornalista e professor, autor de O Século do Crime (Ed. Boitempo) e O Mundo Pós-Moderno (Ed. Scipione), entre outros”, e eu admito: não o conhecia.

Preciso conhecer a partir de agora.
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As 5 páginas dedicadas à entrevista feita por Tognolli com “Doutor Anel” – pseudônimo utilizado por um advogado do PCC para a reportagem – fazem por onde ter o tamanho que têm: polêmico conteúdo informativo, bem tratado, com ótimos toques de jornalismo literário. É impossível não vibrar, por exemplo, com as partes em que Tognolli descreve como “Anel” lida com o cigarro, ou no trecho “Anel falaria o mesmo se estivesse defendendo um papa (…). Seus olhos são glaciais. Talvez não saiba odiar. E talvez não saiba amar.”.

Não tanto pelo conteúdo (afinal, querendo ou não acreditar, todos nós sabemos que, há tempos, “polícia” e “bandido” passaram a ser palavras fáceis de serem confundidas), mas sim por sua forma e fino trato, Parceiros no Crime é um daqueles textos que merece ser lido, relido, copiado e arquivado para ser lido novamente quando o blablablá dos supostos textos objetivos lhe cansarem novamente os olhos.

Rolling Stone Brasil #01

outubro 20, 2006

Sexta-feira, 20 de outubro. Chega às bancas a tão esperada Rolling Stone Brasil.
A segunda tentativa de uma versão nacional da revista (uma primeira tentativa aconteceu no começo dos anos 70, pelas mãos de Ana Maria Bahiana) traz como editor o jornalista Ricardo Cruz, ex da Revista da MTV.

Fundada em 1967, RS é praticamente uma instituição quando se fala em cultura pop. Mais do que uma revista sobre música, é uma revista sobre comportamento jovem. E uma revista que já contou com gente do gabarito de Lester Bangs e Hunter Thompson merece, no mínimo, um pouco de atenção.
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Metade do conteúdo da edição nacional da RSB vem da matriz norte-americana, enquanto a outra metade, produzida por esses lados do atlântico. E, numa rápida olhada no exemplar que acabei de adquirir… é aí que pode morar o perigo.

Ponto forte da edição #1: Brasília: Um Circo Sem Festa”, matéria de Ricardo Soares sobre “as novas e velhas atrações do circo”, em que ele afirma, logo de cara, que “a nova composição do Congresso Nacional não é nem mais nem menos lamentável do que sempre foi. Apenas o reflexo da miséria em que nos encontramos. Mas merecemos”. E merecemos mesmo.

Pontos fracos: Para começar, a capa. Não que Gisele seja uma imagem ruim de se ver (LONGE DISSO!), mas… quanto conteúdo… aí sim, ficam as dúvidas. Além do mais, ao contrário da afirmação feita, Gisele pode até ser a maior popstar nascida no Brasil, mas não é a maior “popstar do Brasil” (o perdão, por outro lado, vem ao perguntarmos: que revista feita pretensamente para um público… hmmm“descolado” estamparia em sua capa uma foto da Xuxa ou do Ivetão Sangalo?). O segundo, bem pequeno, dispensa explicações: “Pitty Indica” (mas… Pitty?!). Já o terceiro fica por conta das páginas 38 e 39 e “Cansei De Ser Sexy: O diário secreto (e bêbado)”, um “On The Road” com uma banda que, independente do fato de ser contratadada Sub Pop (CSS é literalmente sub…pop…), e estarem fazendo shows no exterior, é uma farsa extremamente irrelevante, escrito pelo baterista Adriano Cintra, um dos sujeitinhos mais babacas que já apareceram na face da terra (e se você acha essa afirmação um tanto exagerada, dê uma lida no blog do sujeito, e, depois na “matéria” e então dê a sua opinião).
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Vida longa à Rolling Stone Brasil, e que os pequenos deslizes da primeira edição venham a acontecer cada vez menos nas edições seguintes.
Afinal… quem REALMENTE se importa com o que a Pitty anda ouvindo?
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ps.: Ao contrário do que afirma Adriano Deslumbrado Cintra em seu texto, não são apenas os jornalistas velhos e saudosistas que não gostam e acham sua… “banda” uma farsa entediante.

semana da comunicação… falha na comunicação

outubro 19, 2006

A Universidade Estácio de Sá realiza, na próxima semana, a Semana da Comunicação 2006. Trata-se de uma semana de palestras com profissionais das áreas de jornalismo e publicidade, realizada nos campus (sempre achei essa história de usar “campi” como plural de campus uma grande palhaçada) Rebouças (no Rio Comprido), Tom Jobim (na Barra) e Madureira (em… Madureira!).

 Mesmo dentro da faculdade, a divulgação deste ano está ridícula, e só mesmo entrando na parte de Secretaria Virtual, parte do site da instituição exclusiva para alunos, para saber quem irá participar dessa edição. E mesmo assim, somente as palestras no campus Tom Jobim foram divulgadas.

Minha vontade era fazer aqui uma pequena propaganda com a lista dos palestrantes e os horários em que vão falar, mas como não faço a mínima idéia de quem vai falar no local em que estudo, deixo isso pra lá.
Quando souber, aí sim, divulgo por aqui (vou ter que assistir pelo menos uma delas mesmo, independente de quem vá falar, para finaaaalmente consigo completar as benditas 80 horas de atividades extracurrículares, das quais só tenho 76 até hoje).

cadeia?!

outubro 18, 2006

Que história é essa de que a PF vai começar a perseguir quem BAIXA mp3?! Qual é a dessa palhaçada agora?
Falta do que fazer certamente não é, afinal, os dólares do PT – pra ficar em apenas um exemplo – ainda são um mistério.

Agora querem transformar em criminosos pessoas como você e eu.
Conseguiram bem inverter a regra do jogo…

oba!

outubro 17, 2006

Anote aí: A Companhia das Letras está com uma versão prontinha, em português, da autobiografia de Mr. Hunter Thompson.
A versão nacional de Kingdom of Fear (traduzida por Daniel Galera) tem previsão de lançamento somente para 2007 (eu ouso arriscar que, precisamente, para Bienal do Livro, no Rio de Janeiro).

Agora é só esperar.

Mojo Pin

outubro 16, 2006

Sentou sozinho no escuro da varanda, pondo sobre o colo a última fotografia do casal.
Apenas a pequena claridade da ponta do cigarro acesso preso entre seus trêmulos dedos destros, reluzindo no gelo e no vidro de seu copo de matini seguro pela mão esquerda, poderia ser tido como sinal de iluminação.

Apertou com força seus olhos para segurar as lágrimas que teimavam em apontar.
Tragou com vontade o último Lucky Strike do maço amassado no bolso de trás de sua calça.
Mexeu o gelo sem pressa, sem querer.
Bebeu, de um só gole, sem sequer degustar.

Do bolso de seu paletó, o celular. Ela não atende. Ela não responde suas mensagens. Ela não liga de volta.

A casa está vazia agora.
Ele, tão vazio agora.
A garrafa outra vez… e o copo… já não mais vazio agora.
Pelo menos por enquanto.

Soluça no silêncio enquanto aperta contra o peito uma imagem num papel, cantando baixinho a única canção da qual consegue se lembrar ao pensar que até aquela manhã tudo era tão perfeito…

“Oh…if only you’d come back to me..
If you laid at my side…
Wouldn’t need no Mojo Pin
To keep me satisfied…”

mais um

outubro 15, 2006

Sabe aquele blog que eu citei quando falei sobre os shows solos do Jeff Tweedy para download?
Fuçando ainda mais o arquivo deles, encontrei um outro show do cara. Trata-se de uma apresentação no Hotel S n’ S, em Chicago, realizada no começo desse ano, precisamente em 8 de abril, chamada Letters to Santa Benefit.

Estou baixando agora, mas acho difícil que seja tão bom quanto o primeiro que baixei (aquela versão “Johnny-Cashiana” para I’m The Man Who Loves You – uma das minhas favoritas – não para de tocar por aqui).

Para facilitar o serviço… divirta-se:

01. Someday Some Morning Sometime
02. Not For The Season
03. All The Same To Me
04. Summer Teeth
05. Blue Eyed Soul
06. A Magazine Called Sunset
07. I’m Beginning To See The Light (Harry James)
08. Hey Chicken [fragment]
09. No More Poetry
10. You Were Wrong
11. If That’s Alright
12. Lost Love
13. Henry & The H Bombs
14. The Ruling Class
15. Fatal Wound
16. I Must Be High
17. Kamera
18. Is That the Thanks I Get?
19. Walk Where He Walked
20. James Alley Blues
21. Hotel Arizona
22. Please Tell My Brother
23. Walken
24. New Madrid
25. Walk On
26. Red-Eyed and Blue
27. I Got You (At the End of the Century)
28. We’ve Been Had
29. The Long Cut
30. Radio King
31. Forget the Flowers
32. I’m Always in Love
33. Candyfloss
34. Say You Miss Me
35. Outtasite (Outta Mind)
36. I’m the Man Who Loves You
37. I Can’t Keep From Talking

Paulo Coelho

outubro 14, 2006

– Boa tarde!
– Oi, boa tarde.
– É… aqui… que livro é esse?
– Por que?
– Por que o quê?
– Por que você quer saber que livro é esse?
– Por nada. Na verdade eu odeio ler, estou só tentando saber o nome do livro.
– Ah, sim. Foi uma péssima abordagem.
Ahn? Por que?
– Pra começar, você não sabe meu nome, não sabe pra onde estou indo, não sabe como está meu humor… não sabe nada de mim e pergunta “que livro é esse?”! Péssima idéia.
– Você se engana.
– Como?
– Você vai descer daqui a duas estações, você se chama Marcela, está de bom humor, não bebe, sábado agora é seu aniversário e todas as suas amigas falam alto demais.
Ooow! Que isso, ein, rapaz?!
– Eu disse que você estava enganada.
– Como você sabe isso tudo?
– Viajamos no mesmo horário, ida e volta, quase todos os dias.
Hnnn…
– Você entrou sorrindo no trem. Tem seu nome rabiscado na mochila.
– Olha só! Um bom observador…
– Suas amigas falam alto demais e ontem chamaram você de careta, porque elas encheram a cara na festa do fim de semana e você não. Ah! E foi numa dessas conversas que citaram seu aniversário.
– Nossa, ein!
– Pra você ver. Mas… e o nome do livro, qual é?
– Olha, gatinho… como você sabe, minha parada está chegando. Anota meu telefone, me liga qualquer hora dessas… pra saber o nome do livro, talvez…
– Eu? Seu telefone? Tá maluca?!
– Como assim? E essa de puxar assunto?
Ô sua besta! Dei sorte de você estar sozinha hoje, porque quando vem acompanhada, você e suas amigas tagarelas, não consigo fechar o olho pra uma soneca básica nessa merda de trem! Você acha que EU daria em cima de VOCÊ? Fala sério!
– Mas… e essa do livro???
– Minha irmã gosta dessa bosta de autor, e eu quis saber que porcaria de livro era esse pra de repente dar um de presente para ela. Mas você, além de tagarela, recalcada, careta, ranzinza e com péssimo gosto para livros, é mal educada! E apesar de fingir ser a última-rosquinha-do-pote, é oferecida pra cacete!
– Olha, eu só não mando você pra puta que pariu porque chegou minha parada.
– Ah! Esqueci disso… além de tudo você mora mal!
– Filho da puta!
– Feliz aniversário, mocréia!

“Merda! Não vi o nome do livro!”


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Esse é mais um do arquivo daqueeeele blog antigo.
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Sinto frustrar aqueles que chegam ao Canção Pobre buscando por expressões como “acidentes aéreos”, “caixa preta do avião da gol”, “vôo RG-254”, “imagens do avião” etc (tudo por causa do texto sobre Caixa Preta – o livro do Ivan Sant’Anna, do último dia 30), maaaas… acidente aéreo definitivamente não é o assunto favorito deste que vos escreve.
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O autor deste post não é desses que odeia Paulo “Cabuuum” Coelho sem nunca ter lido nada do mesmo. Ele leu quando tinha seus 16 anos.
E não tem o MENOR orgulho disso.

Segura essa, Rodrigo Falcão!

outubro 13, 2006

Dois shows completos de Jeff Tweedy, o homem por trás do Wilco, em que ele comprova, munido apenas de um violão, que é um dos melhores “singers-songwriters” que já existiram:

1º – Jeff Tweedy at the VIC, 3-5-05: show realizado em Chicago, no Vic Theatre, em benefício do Chicago’s Children’s Memorial Hospital.

2º – Jeff Tweedy – Rocky Mountain Folk Festival 2006: gravado no útimo 18 de agosto, este é o áudio do primeiro DVD solo de experiente Jeff, líder (leia “dono”) do Wilco, também membro do Loose Fur, que começou a carreira no Uncle Tupelo, gravou com o Minus 5, com o Golden Smog, com Billy Bragg e sabe-se lá com mais quem, tornando-se um verdadeiro papa no que convencionou-se chamar de “alternative country”.

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Faz assim: aproveita e baixa também o Wilco Live at the Fillmore, disponível no mesmo blog.
Se você estiver mesmo com tempo e quiser variar um pouquinho para não ter que ficar horas ouvindo apenas a voz do Jeff (não que eu considere isso um sacrifício), baixe o at Northern Lights, do Ryan Adams com The Cardinals.
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Esse post vai para um amigo que depois de conhecer Wilco ficou um tempo feito louco tentando encontrar tudo possível relacionado á banda.