Bohemia

Chegou mais cedo no trabalho naquela terça-feira.

Deixou suas coisas sobre a mesa, pensou em descer.

Encontrou um amigo (“Algo ali fora? Duas garrafas, batata… daqui a pouco a gente volta!”) e foi ao bar logo ali embaixo, logo ali em frente.
Enquanto papeava e saboreava cada mínimo gole de sua cerveja favorita (“Vale a pena pagar um pouco mais caro quando se quer beber algo realmente bom!”), ele a viu surgir por entre os carros e curvas. E quis pra si todas as curvas, quis levá-la de carro, fosse por onde fosse.

Era a mulher da sua vida. A mais interessante, a mais bonita, a mais mãe-de-meus-filhos, a mais essa-mulher-lá-em-casa-pra-sempre, a mais jantar-com-meus-pais, a mais férias-em-Fernando-de-Noronha-ou-em-qualquer-canto-com-você, a mais encha-meu-copo-outra-vez, gole rápido, gole gelado, a mais-mais!

Pensou em segui-la, segurá-la pelo braço, perguntar seu nome, se apresentar.
Pensou em tanta coisa que pensou em coisas demais.

Por fim, sequer se moveu. Deixou-a ir, assim, sem esforço: não queria beber cerveja quente.
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[Texto de maio desse ano, dos arquivos do meu blog anterior.]

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