o show que eu não vi

1 da manhã de Sexta-feira, dia 10 de novembro de 2006. Nesse exato instante começa um show em que eu, até ontem, acreditava que estaria presente: Los Hermanos no “campo do Atlético de Seropédica”. Não fosse o fato da patroa ter ficado resfriada, eu não teria trocado a apresentação de um monte de barbudos com camisas listradas – tanto no palco quanto no público – por alguns filmes e um bom edredon.

SE-RO-PA!
Seropéééédica!
Nunca entendi muito bem esse nome. Tem algo a ver com bicho-da-seda, ou qualquer coisa parecida. Mas pouco – ou quase nada – importa. Ninguém se lembraria desse lugar se não fosse pela UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), que ocupa uma fatia considerável dos 267 Km² do território do município.

Não que eu goste do lugar (não passa de mais uma dessas cidades que, a exemplo de suas “vizinhas i” – Itaguaí, Paracambi, Japeri e Piraí – e de tantas outras, estão sempre sujeitas aos mandos e desmandos dos Senhores Feudais, os Donos da Cidade – e do destino dos que lá habitam –, os… “doutores” e “coronéis” que, apesar de tudo, conseguem de vez em quando – em certos lugares, conseguem de vez em sempre –, um mandato de deputado aqui, ou um cargo no governo do estado acolá, visando sempre a ampliação de seus domínios). Mas, devo admitir… tenho um certo – e nostálgico – apreço: cursei meu ensino médio por aquelas bandas; fiz amizades que perduram até hoje; também aprontei das minhas (dobrando à primeira direita ao lado do tal campo – como quem sai de Seropédica em direção à Dutra – e andando uns 100 metros, você poderá encontrar a casa de uma antiga namorada dos meus 16 anos – se é que pode se chamar de namoro um caso de pouco mais de um mês do qual fugi sem deixar vestígios, só encontrando novamente mais de um ano depois).

Desde abril de 2002 – mais precisamente após a formatura – deixei de freqüentar a cidade. E o “bandeijão” da Rural. E a Adega. E a banca-de-jornal-ao-lado-da-primeira-passarela. E o bar ao qual chamávamos de “Escritório”. E tudo mais.
Convenhamos: já faz bastante tempo.

Hoje, agora… 1 e qualquer coisa da manhã… quer saber?
Dane-se a Rural e seus “artesãos de durepox”, com seus dreads apodrecendo e suas malditas sandalinhas de madeira!
Dane-se o coroné, o bicho-da-seda prefeito por duas vezes, dono do auto-rótulo “prefeito legal”, que, a partir de janeiro próximo, assume o mandato de deputado estadual!
Danem-se as rimas!
Danem-se as barbas e camisas com listras horizontais.

Eu troco qualquer coisa por alguns momentos a mais ao lado da pessoa que me faz feliz, mais feliz do que qualquer música, mais feliz do que qualquer lembrança.
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ps.: o autor desse texto continua tendo amigos na cidade, acha a comida do “bandeijão” uma porcaria, ouve Los Hermanos, usa barba e adora camisa com listras horizontais.

5 Respostas to “o show que eu não vi”

  1. André Julião Says:

    Nossa! Acho que sou o primeiro a ler esse post! Tava lendo o anterior, mandei ir pra Home… cheguei! Mas eu tenho umas coisas a dizer sobre cidadezinhas… talvez num post…

  2. Jorge Wagner Says:

    foi o primeiro sim!
    eu acabei de postar, vi seu comentário no texto anterior.

    cidades pequenas são sempre palco de boas histórias (bem, o conceito de “bom” é bem relativo esse caso) !

    abs

  3. Carina Says:

    Ela sabe como fazer as coisas, eu disse… Sabia q vc se renderia… kkkkkkkkkkkkkk

  4. André Julião Says:

    Ô loco, falou que a última palavra é sempre sua, JW: “Sim, senhora”

  5. Falcon Says:

    rapaz acabou de declarar uma guerra entre nossas cidades..rs

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