Loucuras, Barba, Lanny, Youth e o começo do fim dos Hermanos

Não Devo atualizar tão cedo. Então… toma um texto grandão!
E vê se deixa uma pegada por aqui, viu?

I – Esquizofrenia:

Schizophrenia é o nome da faixa de abertura do álbum Sister, lançado em 1987 pelo Sonic Youth. Esquizofrenia é uma espécie de transtorno do funcionamento cerebral (não é muito correto chamá-la de “doença”), que, segundo muitos acreditam, entre outras coisas, influi também no “potencial artístico” de quem a possui – não sendo portanto de toda má.
De fato, eu mesmo conheço três sujeitos, com diferentes graus de esquizofrenia. Três exímios músicos que compartilham, além do fato de serem autodidatas, os problemas de se conviver em sociedade, as crises de alucinações e as fobias (um tem medo de porco, outro de… CAFÉ e o outro, de cães – por menores que sejam). E os três estão por aí: um é professor de guitarra em uma escola de música para adolescentes, o outro é fotógrafo e o terceiro… bem, o terceiro passa boa parte do tempo trancado em casa e, de vez em quando, arruma algum aluno para suas aulas de teclado.

Não se assuste ao saber que a esquizofrenia é muito mais comum do que se possa imaginar. Assim como qualquer… “loucura”. Diz o velho ditado que, blablablá, “todo mundo tem um pouco”.
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II – Barba é loucura?

Usar barba em dias de calor infernal deveria ser caso de internação. Mas… vá convencer aquela sua namorada – que diz com tamanho jeitinho “Amor, eu gosto da sua barba!”, e que passa uma semana olhando de lado para você caso você tenha se barbeado sem aviso prévio – que, nesses dias quentes, barba… INCOMODA PRA CACETE!
Será que Rodrigo Amarante, que, com aqueles passos estilo bonecão-de-posto consegue dar toda a graça à um show dos Los Hermanos, sofre em dias quentes como esse? Será que a barba é para agradar alguma namorada, ou familiar, ou sei-lá-mais-o-quê?!
E, se não é por nada disso… será que ele é… DOIDO?
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III – O Mago:

“Minha realidade é outra. Vivo no meu mundo muito particular, todo de paz e amor. Parece que estou no céu, no nirvana”.

Lanny Gordin é um gênio das guitarras no tocante à música brasileira, só encontrando paralelo com Sérgio Dias, o eterno Mutante que, aliás, é seu fã declarado. É uma daquelas figuras que, assim como Rogério Duprat (maestro tropicalista falecido em outubro passado), esteve presente em gravações de discos que você certamente já ouviu, como, por exemplo, Gilberto Gil, de 1969, e Expresso 2222 – discos da época em que Gilberto Gil ainda merecia ser ouvido.

Dono de um estilo único (alheio a qualquer regra e convenção tradicional), em certo momento dos anos de 1970, o músico autodidata simplesmente… pirou. O diagnóstico: esquizofrenia. Schizophrenia!

Durante quase trinta anos seguintes, Lanny sumiu do showbusiness, indo e vindo de clínicas de saúde mental (mas vale citar que, nesse tempo, participou de discos de Jards Macalé e Chico César, entre outros). Em 2001, lançou um disco. Em 2004, outro, e agora, em fins de 2006, outro: Lanny Duos, com participações de Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra, Fernada Takai, Gal Costa, Rodrigo Amarante, Zeca Baleiro e outros. 
***

IV – Orquestra Imperial:

Tenho uma teoria não muito otimista quanto ao futuro dos Los Hermanos. Quem me conhece sabe o quanto detesto a estréia dos caras, acho o Bloco um ótimo momento de transição e o Ventura… uma obra prima. E muitos são os artistas que ficam sua carreira eclipsada por terem lançado uma obra prima (caso de Paulinho Moska, por exemplo, que gravou dois bons discos, mas nenhum à altura de Móbile). Por conta disso, eu tinha muito medo do que poderia ser o quarto álbum dos barbudos. E… veja bem… eu até gosto dele, mas, convenhamos que 4 marca o início do fim da banda, cada vez mais polarizada: uma faixa trás o “Los Hermanos do Camelo”, a outra, “Los Hermanos do Amarante”, e é assim do começo ao fim. Duas bandas distintas.

A notícia de que a Orquestra Imperial – mega-banda que conta, entre outros, com a presença de Kassin, Thalma de Freitas e… Amarante – lançará um disco de inéditas no início de 2007, e que o repertório inclui “O Mar e o Ar”, uma composição de Rodrigo, é ótima, mas vem somar pontos à minha teoria de que…

Deixa esse assunto mais pra frente!
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V – Ligando os Pontos:

Rodrigo Amarante quis cantar “Mucuripe”, clássico de Belchior e Fagner já registrado por Elis Regina e Roberto Carlos, mas não pôde: a música já tinha sido escolhida por Fernanda Takai. Amarante mostrou uma sua, nova – e foi ela que ficou.

Há uma pérola nova, “Evaporar”, de Rodrigo Amarante, como que saída de um disco de Tom Jobim.

Citações retiradas da Rolling Stone Brasil, sobre a participação de Rodrigo Amarante em Lanny Duos.
***

VI – Mas… o que tem o Youth a ver com as calças?

Um dia você encontra com a sua namorada – aquela que não lhe deixa fazer a barba – e percebe que ela está usando um baby look do Sonic Youth. Você para e pensa “Uau! Minha garota com uma camiseta do Sonic Youth!” e se enche de orgulho disso.
Você chega em casa, vai verificar seus arquivos e percebe que… caramba! Você só tem os álbuns Rather Ripped e Murray Street! E fica ainda pior quando você vai ouvir Rather Ripped novamente e pensa “Hey! Por que esse disco não estava na minha lista de favoritos de 2006 desde quando o baixei?!”, e então sai em busca de todos os discos que conseguir encontrar.
Você então entra numa de não conseguir parar de ouvir Sonic Youth, nem mesmo quando senta o trazeiro numa cadeira diante de um computador para escrever um texto sobre Lanny Gordin e Rodrigo Amarante.

Você chega ao extremo de cortar aqui, colar ali, só para dar um jeito de citá-los de alguma forma, por mais idiota que seja.
***

VII – De bobo, só a cara!

Legal que a Orquestra Imperial vá lançar um disco de inéditas, que já começa bom a partir do momento em que descobrimos que tal disco terá o título de “Carnaval Só no Ano que Vem”;

Legal que Lanny esteja de volta, com um disco repleto de participações interessantes, com regravações de músicas tão bacanas quanto “Mucuripe” (na voz da Takai, cara!), além de inéditas assinadas por alguns de seus convidados;

Legal que Rodrigo Amarante dê as caras fora dos Los Hermanos, assinando “O Mar e o Ar” no disco da Orquestra e “Evaporar” (comparada à composições de Tom Jobim!) no disco de Lanny;

Legal que os fãs dos Los Hermanos comecem a se habituar com uma banda cada vez “mais de primos” e “menos de irmãos”.
Rodrigo Amarante, com aquele ar avoado e aquela barba (mesmo nessa época de calor infernal), demonstra ser mais sensato do que parece e começa a pensar em outras possibilidades de se ganhar $$ e conquistar novos admiradores sem ter que depender de Marcelo Camelo & Cia para isso.
Vai que um dia os “laços de família” deixam de existir? Eu acredito que esse dia está cada vez mais perto.
Vai esperar acontecer para saber o que fazer?
Não mesmo! Ele não é louco o suficiente para isso…

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13 Respostas to “Loucuras, Barba, Lanny, Youth e o começo do fim dos Hermanos”

  1. silveira Says:

    Sobre Los Hermanos, interessante você levantar essa possibilidade. Mas acho que a banda ainda pode existir um bom tempo dentro desta formula, apesar de que conflitos vão aparecer um dia ou outro.
    Gosto muito do jeito que está. 🙂
    Dê uma passada no meu blog, tchau!
    http://silveira.wordpress.com

  2. Eduardo Martinez Says:

    Parabéns pelo texto, cheio de “ligações perigosas”, muito bom.

    Não tenho muita certeza sobre o possível futuro dos Hermanos, mesmo no ventura, que também considero uma obra-prima, eu já via a caracteristica “canções do Amarante” e “canções do Camelo”. Acrdito que isso possa contribuir com a sonoridade deles e que eles saibam conviver com esse “problema”.

    Na verdade não faço idéia do que pode acontecer no próximo álbum deles, já que possuem quatro álbuns tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais.

    Falow

  3. Átila de Carvalho Says:

    Schizophrenia/Esquizofrenia. Caro Bob, o transtorno que tu falou é certo de existir em muitos ou todos os artistas mas não se coloque de fora dessa lista. vou dar algumas caracteriscas que tu certamente se idendificara: Quando estas só tu entra em mundo paralelo, que não é um mundo perfeito, é um mundo onde você luta para alcançar as coisas que não consegue no “mundo real” e mesmo tu sendo um “deus” desse mundo imaginario você não tem o controle de tudo, quando tu sonha os teus sonhos parecem mais um delirio e raramente sonha com algo agradável; quando estás em um lugar agitado tu custumas a se refugiar neste mundo e alterna as conversas com os personagens “reais” e “imaginarios”; e em alguns muitos dias você sai com raiva de tudo e com vontade de matar e morrer pois parece que todos são idiotas ou genios demais para viver contigo; tu odeia Emos ou qualquer coisa que estaja na moda, mas em contra ponto a isto tu também odeia aquelas pessas que fazem de tudo para não sequir a moda (sendo assim, seguem a moda). Para resumir: Se tu se identificar com estes casos fique certo: TÚ ÉS UMA BICHA ESQUIZOFRENICA!
    Um grande abraço da irmandade!

  4. Jorge Wagner Says:

    Kabal… é CLARO que eu não me excluo da lista, rapaz!
    quando aos dias de odiar todo mundo, tenho mesmo, acontece de vez em quando.

    já o odiar tudo que está na moda, não é bem assim: eu só odeio as modas ridículas, além daquele tipo de atitude “Ual! Ele é diferente! Vou ser diferente IGUAL a ele!”.

    esquizofrênico eu posso ser mesmo, mas “bicha” é por sua conta.
    e qual o motivo da irritação? eu não ter dito seu nome quando falei do esquizofrênico com fobia de porco?! hehehe

    (quem ler isso vai até pensar que é briga mesmo…)

    abs

  5. só um “à toa”… « “A Canção Pobre” Says:

    […] Eu que pensava que já tinha conseguido gente suficiente que não gostasse de mim apenas falando mal da postura “Eu Sou O Senhor da Verdade” e criticando a utopia da imparcialidade de alguns “coleguinhas” estudantes de jornalismo (tem também a turma que não gosta de mim desde o ensino médio, mas esses… já faz tanto tempo que nem eles e nem eu nos lembramos direito dos motivos), me surpreendi ao descobrir que um texto escrito sem compromisso (e que em momento algum quis ofender ninguém – quer dizer, até quis tirar um sarro, mas com a cara de um amigo, um dos esquizofrênicos citados) fosse me render adjetivos como “viadinho”, “à toa”, “fã enrustido”, “jornalista indiezinho” tudo assim, de uma vez só. […]

  6. Leandro Says:

    Não é só o Amarante que anda fazendo trabalhos paralelos. O Camelo (na produção de disco de samba, por exemplo) já faz destas também.

    O estilo dos dois é nitidamente diferente. Um dia a banda acaba mesmo. Ah, mas vai demorar.

  7. Jorge Wagner Says:

    estamos em janeiro e esse texto continua sendo lido, linkado e criticado por fanzocas xiitas e ignorantes que não entenderam sequer uma palavra do que quis dizer aqui.
    não baixei a “mãe Dinah” pra depois dizer “eu avisei” ou algo do tipo; só disse que é dessa forma que eu IMAGINO que vá acontecer, é isso que que PARECE estar acontecendo a cada disco que sai, a cada projeto paralelo etc.

    é esse tipo de pessoa que, na década de 60 teria dito coisas como “de fooooorma alguma o casamento de John influencia na relação entre os Beatles”, entre outras.

  8. Vinícius Theófilo Says:

    Acho incoerente o fato argumentado sobre o início do fim dos hermanos. Pelo contrário, acho que a existência de trabalhos paralelos contribuem para o desenvolvimento pessoal de seus idealizadores e consequentemente na rotina de “banda”. E logicamente o rumo, o jeito, o estilo das canções são diferentes pois são trabalhos de pessoas diferentes, mas que tomam um molde, uma característica quando é entoada e defendida por um grupo. Muito natural tomarmos um álbum como referência e maior gosto pessoal, mas todos os 4 trabalhos dos hermanos tem como consequência sucesso e competência, fato comprovado pelo grande número de fãs e admiradores dos barbudos.

  9. Mauricio Abrahão Says:

    Acabei chegando no blog procurando coisas novas dos Los hermanos e especialmente do Amarante, meu hermano favorito em quesito composição. Torço MUITO para que esteja errado em relação ao destino da banda. Acho que que o 4 foi um disco necessário para formar um conceito da banda, mas concordo quando diz que ventura é uma obra-prima, assim como o Bloco (sendo este um pequenino degrau abaixo). Acredito que os LH sentiram que o 4 nao teve a mesma “aceitação” do público, mas principalmente por que não alimenta a energia dos shows, que sempre foi o forte da banda e fez eles serem o que são junto ao seu público. As musicas do Ventura e Bloco fizeram dos LH uma das melhores bandas ao vivo que já vi na vida. Emoção e energia pura!!! De qualquer forma, não acho que o Amarante ou Camelo precisam se privar de trabalhos e experiências por fora, bem pelo contrário, acho que isso pode ajudar e muito o projeto principal dos 2, que é claro o LH!!! Acho que a quimica da banda é o que faz eles serem quem são…

  10. greco Says:

    Será q rola um torrent desse disco do lanny, to atras ha um tempo ja e nao encontro.

    To sem grana tb, senao pagava 30 paus facil…

    Se conseguir meu mail tem ai em cima, mas pra garantir é gfelippe@gmail.com

    Grande abraço!

  11. "Esse é só o começo do fim..." « “A Canção Pobre” Says:

    […] álbum da Orquestra Imperial e de uma participação de Rodrigo Amarante no álbum de Lanny Gordin, escrevi aqui no dia 18 de novembro do ano passado: Legal que Rodrigo Amarante dê as caras fora dos Los […]

  12. Jorge Wagner Says:

    agora é oficial:
    https://cancaopobre.wordpress.com/2007/04/24/esse-e-so-o-comeco-do-fim/
    https://cancaopobre.wordpress.com/2007/04/24/esse-e-so-o-comeco-do-fim/
    https://cancaopobre.wordpress.com/2007/04/24/esse-e-so-o-comeco-do-fim/

  13. kexardBrarp Says:

    Комплекс текстов хороший удачный, добавлю сайт в избранное.

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