Como em um livro, um filme ou um “era uma vez”

Foi então que aquela garota, que eu conhecia desde o já distante ano de 2002 e com quem voltara a ter contato (via mundo digital) há pouco mais de três semanas, uma certa sexta-feira de maio veio me cobrar uma promessa:

– E o livro, ein? Quando você vai me emprestar?
– Poxa, bem lembrado! Estava emprestado com um amigo, mas ele me devolveu HOJE! Ia até falar isso com você!
– Ah! Me empresta então!
– Claro! Como faço pra passá-lo pra você?
– Não sei… você está em casa domingo?
– Tô sim!
– Passo aí de tarde então!
– Tá certo! Qualquer coisa, me liga!

Ela ligou. Ela foi. E assim, naquele domingo, pouco mais de 48 horas após voltar para casa depois de um bom tempo rodando entre amigos, meu exemplar de Alta Fidelidade saía de minhas mãos mais uma vez. É claro que eu não liguei. Ainda mais por ansiar pelo menos por um mês (desde uma noite na qual voltamos com uma mesma turma de um pequeno show de uma banda de amigos em comum) pelo dia em que teria a chance de vê-la novamente à minha frente.
E ela estava… LINDA – assim, com todas as letras maiúsculas. E tímida. E, com sua bela saia preta, sua camiseta branca, seu pequeno par de óculos, seus cabelos presos… ela sorria, abaixava os olhos, olhava para os lados, balançava os braços. E eu… eu me apoiava no portão, sorria sem parar aquele sorriso não menos tímido, com a boca fechada e olhos apertados, mirava as pequenas bandeiras estendidas por toda a rua (era época de Copa do Mundo) – bem, fazia isso pelo menos durante os momentos em que não conseguia desgrudar meu olhar daqueles lindos e brilhantes lábios.

Eu já falei do perfume? Não?! Céus… aquele era o melhor cheiro que eu jamais havia sentido em qualquer pessoa, em qualquer época, em qualquer situação.

Livros pra lá, filmes pra cá, shows, cds, cachorros, vizinhos legais, vizinhas fofoqueiras, doces, futebol, bandeirinhas, amigos sumidos, lembra-daquele-dia, quando-foi-mesmo-aquele-meu-aniversário-em-que-você-veio-aqui, já-faz-bastante-tempo e muitos outros assuntos tratados assim, com uma simplicidade quase boba, por trás de sorrisos e olhares desviados.

Tá bom. Eu sei. Eu sei que já falei “sorrisos” muitas vezes por aqui. Mas foi assim mesmo. Nem consigo me lembrar há quanto tempo não sorria tanto quanto sorri naquele dia.

Não é difícil adivinhar: me apaixonei.

Oito dias depois, quando receberia de volta meu Alta Fidelidade (ler Hornby: ponto! Ler rápido: mais pontos!), alguns minutos de conversa e… lá estávamos nós, juntos, como num pequeno simples conto em que (quase) tudo começa com um livro, ou um filme, ou um disco, ou um “era uma vez”, ou mesmo com uma lista de 5 de qualquer coisa que seja passível de ser listada. Estávamos cogitando um namoro no segundo dia, assistindo filmes no terceiro, indo juntos a um show dos Los Hermanos no quinto.

A verdade, percebemos alguns dias depois, é que éramos um casal desde o momento em que demos nosso primeiro beijo.
***

– Comprei um presente pra você, mas queria entregar só na quarta-feira!
– Ah, não! Você sabe como eu sou curioso!
– Sei sim! Na verdade, eu queria embrulhar antes…
– Não precisa!
– Um instante.

E lá vem ela, com um de seus lindos sorrisos nos lábios, trazendo em suas mãos, postas para trás, alguma coisa para mim. Ela se põe ao meu lado e vira devagar, enquanto diz:
– Estava procurando há um tempo, mas só encontrei hoje. Vê se você gosta…

Se tudo – ou quase tudo – começou com um livro de Nick Hornby, ela sabe exatamente como me surpreender e marca nosso sexto mês juntos (quem se importa com um ou dois dias de antecedência?) me presenteando com o DVD de um certo filme, baseado num certo livro, com um certo John Cusack no papel principal: Alta Fidelidade.

Como não gostar?
Como não acreditar que estou ao lado da pessoa mais especial do mundo?

8 Respostas to “Como em um livro, um filme ou um “era uma vez””

  1. Carina Says:

    E era pra vc ter emprestado ele pra mim primeiro, hein… huahauahaua

  2. Mariana Says:

    OLá muito interessante o seu blog!

    Parabéns!!

    Tchau

  3. karen Says:

    Que liiiiiiiiindo! =D

  4. Falcon Says:

    ai ai..o amor é lindo!!!!!
    boa sorte no namoro rapaz…
    muitas felicidades, filmes, sorrisos e tudo mais!
    abraço

  5. silveira Says:

    Esse é o filme. Gosto muito. Mas ainda não falei dele no meu blog, acho que só citei.

  6. Fred Says:

    Boa história. Nada parecida com a minha, mas você parece um cara de sorte. Porque ter uma namorada com um gosto tão bom assim… quer dizer, que pareça com o seu gosto e que vocês discutam bem sobre essas coisas, livros, música… deve ser bom e nem todos conseguem. (:
    Se bem que… viva as diferenças. E viva a minha garota. haha.
    Não consegui ainda ler o livro, acho que só eu comprando mesmo…
    Mas o filme é mesmo muito bom.

  7. Eduardo Martinez Says:

    Legal seu conto/história/fato, hehe.
    Digno dos climas de filmes do Cameron Crowe, não sei se você gosta, mas digo isso porque sou fã, e ontem assisti Quase Famosos pela trocentésima vez….. poutz, como gosto desse filme, cada vez que assisto, ou escuto a trilha, fico mais embasbacado.

    Falow, até mais.

  8. morganusvitus Says:

    The site looks great ! Thanks for all your help ( past, present and future !)

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: