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Suicídio no Metrô, censura e insegurança no Pan

abril 30, 2007

No dia 09 deste mês de abril, no horário do rush, um sujeito comenteu suicídio se atirando na frente do metrô sentido Zona Sul, na estação da Cinelândia, Rio de Janeiro. O fato resultou na interrupção da circulação dos trens por aproximadamente uma hora, com direito a clientes sendo escoados, caos refletido no trânsito e tudo mais.
Bem, eu não sabia disso, e é provável que você também não. Não vi na tevê, não li em jornais. Afinal, não houve mesmo qualquer menção do acontecimento na imprensa (soube disso através de um amigo, e acabei encontrando confirmações aqui e ali).

Victor “Pará”, um amigo paracambiense estudante de engenharia da Uerj que, ainda novo, levou uma pedrada na cabeça e quase morreu (e por conta disso tem um certo descontrole no volume de sua voz – começa a conversar baixo e daqui a pouco está gritando mais alto que um pregador de uma igreja pentecostal sei-lá-o-quê) e costuma ter opiniões bem radicais sobre o que chama de “queixas em relação as mazelas nacionais”, por email, levanta uma questão interessante:

“Me preocupa a postura dos jornalitas diante da situação atual. O ministro Gushiken tentou implantar uma lei de censura. Logo após foi tentada a criação do CFJ(Conselho Federal de Jornalismo) para controlar as atividades não só de jornalistas mas de todos os profissionais de mídia – de apresentadoras de programas infantis a autores editores de revistas -, e agora vemos casos de “mordaça” como o do metrô. O governo fala em mudar a constituição para aumentar o mandato do presidente, há casos de quebra de hierarquia nas forças armadas além do problema das guerrilhas mantidas pelos traficantes (criadas pela esquerda durante os governos militares) contra grupos paramilitares (as milícias). Temo o quem pode estar vindo por aí…

Faltando apenas três meses para os jogos pan-americanos, a mídia se cala, ocultando a incapacidade do sistema viário fluminense, e a sua falta de preparo diante de situações de emergência como acidentes e ataques terroristas. Afinal, da mesma forma que o homen se matou, ele poderia ter detonado uma bomba e parado toda a cidade com isso.”

Alguém discorda?

Ode à Bangs

abril 29, 2007

E no início da noite de domingo, músico e jornalista conversam…

– Manda o material para esse endereço que te passei. O CD novo, o anterior, a demo, release, reportagens… o que mais tiver.

– Beleza! Tá anotado aqui.

– Eu to meio saturado dessas notinhas de um parágrafo. Por outro lado, saturado de monografia também. Quero textos legais pra me exorcizar! Tendo um tempo, tomara que consiga isso no texto sobre vocês.

– Pô, primeiro vc vai ter que gostar do CD, né?

– Não necessariamente. Se eu odiar, faço um texto fodão falando mal.

– Ah, tá… o negócio é ter assunto, né?

– E ser sempre impiedoso!

Quase

abril 27, 2007

Janelas abertas. Sereno fino lá fora. O vento é pouco, mas suficiente para balançar as cortinas.

Ela, deitada na cama ao meu lado. Eu, sentado à cabeceira, acaricio seu longo e ondulado cabelo negro.
Ela fita meus olhos marejados (não por sua causa, não mais, não ainda…), como se quisesse enxergar além do que se pode ver de imediato.

– De que você tem mais medo?
– Medo? Não sei… de fracassar, talvez.
– Mas fracassar em que sentido?
– Fracassar na vida. Ser medíocre, com um emprego medíocre, uma vida medíocre…
– Poxa, mas você é inteligente, você tem capacidade e…
– Mas não é só isso. Não é só emprego, dinheiro…
– O que mais?
– Sentimentos. Relações. Ficar longe – em todos os sentidos – da pessoa que eu amo, não saber reagir…
– Calma. Eu estou aqui.
– Mas não como eu gostaria.
– Hey, tá tudo bem! Espera… já ouviu falar que tudo tem seu tempo? Tudo vai dar certo. “O que é seu tá guardado”. Tudo tem sua hora.

Como alguém que me conhece tão bem ou mais do que eu, ela sempre sabe o que dizer. Eu que muitas vezes não entendo.

– Acho que nunca vou conseguir te esquecer.

Ela, muda, sorri, desvia os olhos, aperta minha mão.

Lá fora agora chove. E o som do vento e da chuva vem no momento em que, em um filme, a música tema chegaria ao refrão.

“Esse é só o começo do fim…”

abril 24, 2007

Desconfiando que havia algo no ar quando soube das notícias do lançamento de um álbum da Orquestra Imperial e de uma participação de Rodrigo Amarante no álbum de Lanny Gordin, escrevi aqui no dia 18 de novembro do ano passado:

Legal que Rodrigo Amarante dê as caras fora dos Los Hermanos, assinando “O Mar e o Ar” no disco da Orquestra e “Evaporar” (comparada a composições de Tom Jobim!) no disco de Lanny;

Legal que os fãs dos Los Hermanos comecem a se habituar com uma banda cada vez “mais de primos” e “menos de irmãos”.
Rodrigo Amarante, com aquele ar avoado e aquela barba (mesmo nessa época de calor infernal), demonstra ser mais sensato do que parece e começa a pensar em outras possibilidades de se ganhar $$ e conquistar novos admiradores sem ter que depender de Marcelo Camelo & Cia para isso.
Vai que um dia os “laços de família” deixam de existir? Eu acredito que esse dia está cada vez mais perto.

Não passava de um texto descompromissado em que eu me deixava levar por uma teoria puramente hipotética, mera especulação.
Pronto! Não precisou mais do que isso para que alguns fanzocas da banda se utilizassem de adjetivos “não muito carinhosos” para me definir.

Como mesmo os comentários educados (coisa que só existiu aqui no blog) e com bons argumentos, na maioria dos casos, discordavam de mim, na semana passada, ao ver a notícia de que Amarante vai gravar com Devandra Banhart, lembrei dessa história e pensei: “pois é… a coisa continua como antes mas a banda ainda está aí”. Achei melhor esperar o quinto álbum dos caras para ver no que ia dar, na esperança de ouvir um puta disco que jogasse por terra a minha “teoria de fim eminente”. Agora porém, para minha surpresa, acabo de redigir a seguinte nota para o site da Rock Press:

Os membros dos Los Hermanos divulgaram ontem no site oficial que a banda entrará em recesso por tempo indeterminado. Segundo a nota, a decisão dessa chamada “separação temporária” foi tomada em conjunto para que os integrantes pudessem se dedicar aos projetos paralelos, e a amizade entre os músicos permanece. “Não houve desentendimento ou discordância que tenha afetado nossa amizade tanto que continuamos jogando truco toda quinta-feira.”, garantem. Antes das “férias” porém a banda se apresenta na Fundição Progresso, no Rio, nos dias 08 e 09 de junho.

Pois é, Silveira, Eduardo Martinez, Leandro, Vinícius Theófilo e Mauricio Abrahão: eu estava mais certo do que imaginava. Acertei até o motivo.

Ah, claro! Boa sorte aos músicos em seus trabalhos paralelos! Tenho minhas opiniões sobre quem vai se dar melhor e tal, mas tudo bem… ainda é muito cedo para esse tipo de especulação.
cabô!

má será pussívu?

abril 23, 2007

Essa notícia tem quase uma semana, mas havia me esquecido de comentá-la por aqui…

Devandra Banhart está atualmente em estúdio preparando o quinto álbum de sua discografia. O sucessor de Cripple Crow, de 2005, terá, entre outras, a participação de Rodrigo Amarante, membro dos Los Hermanos. Ainda não há previsão de lançamento para esse novo trabalho.

Lembro que da vez que quis escrever sobre como eu acredito que a polarização criativa nos Hermanos poderá resultar no desgaste e até no futuro término do grupo (sim! porque gostemos ou não, bandas acabam!), os fanzocas dos barbudos (pausa: há uma diferença clara entre e fanzoca; ao contrário do 2º, que pensa que sua banda favorita tem alguma espécie de poder divino e está acima do bem e do mal, o 1º, apesar de admirar o trabalho de seus… hmm… ídolos, consegue aceitar a HUMANINDADE desses mesmos, consegue aceitar que os caras são sujeitos a erros, sejam músicas ruins, atos idiotas, etc) quiseram meu pescoço.

Agora… Amarante num álbum do Devandra? Hmmm…
Deixa o quinto álbum chegar pra eu falar alguma coisa. E não falo do quinto álbum do gringo…

[…]

abril 11, 2007

Tudo e nada acontecendo por aqui. Monografia invadindo meus sonhos (atualmente estou lendo, ao mesmo tempo, História Social da Música Popular Brasileira, do Tinhorão – alguém saberia me dizer DE QUÊ esse cara gosta? – e Tropicália – A História de uma Revolução Musical, do Carlos Calado, e ando literalmente sonhando com o que devo escrever no parágrafo seguinte) ´da mesma maneira que algumas outras coisas que têm acontecido por aqui não parecem tão reais assim (é legal descobrir que Snow Patrol, Foo Fighters e Drew Barrymore podem ser seus aliados…).

Em todo caso, confesso estar bem mais feliz agora do que estive durante os últimos tempos (mesmo que as coisas não sejam EXATAMENTE como eu gostaria que fossem, são bem melhores do que eram até pouco tempo).

Esse é um post inútil e eu não quero falar muito. Mas torçam por mim. Pela monografia e pelas outras coisas. Pelo tudo e pelo nada. Pelo sim e pelo não.
E obrigado por se importarem! =]

Tribunal Surdo

abril 5, 2007

A essa altura, se você não sabe, já deveria estar sabendo que essa semana contou com o lançamento do provável melhor disco nacional do ano.

Disponível no site da Monstro Discos, Tribunal Surdo, do Violins é anunciado da seguinte forma:

Após entupir de guitarras o excelente “Grandes Infiéis”, em 2005 (que versava sobre traição e mentiras), a banda goiana retorna ao mundo dos temas complicados com “Tribunal Surdo”, que fala de prostitutas, assaltantes, exterminadores e quetais, radiografando de maneira primorosa o mundo que muitos ousam não enxergar. Verdadeiros socos no estômago em faixas como “Campeão Mundial de Bater Carteira”, “Delinqüentes Belos” e “Grupo de Extermínio de Aberrações”.

Só conheço as 5 músicas que a banda liberou antes do lançamento oficial, e só por elas já dá pra concluir que Tribunal Surdo é soco no estômago, porrada na orelha.

Me dá de presente? 😉

Paralelos

abril 2, 2007

Encosta a cabeça no meu peito e faz que dorme. Eu me ajeito, ela se esparrama.
O táxi vai devagar, mas quem se importa? Cobrou pela viagem, tudo bem, pode ir sem pressa.
Beto e o motorista conversam qualquer coisa sobre futebol, ou sobre velhos pedestres bêbados, ou sei lá o quê. Eu mal ouço, e nem ligo.
Enquanto afago os cabelos mal tingidos de minha pequena garota, tenho a certeza de que Lídia tem o perfume que eu sempre quis sentir.

Às vezes tento entender como foi que aconteceu, se somos mesmo assim tão diferentes…
Eu visto jeans e uma camisa vermelha de malha. Ela usa sandalhas e um pequeno e leve vestido de alça branco dois palmos acima do joelho;
Eu ouço bandas estranhas e ela gosta de novela;
Acendo um cigarro. Ela se olha no espelho;
Eu peço uma cerveja, ela demora a me beijar.

Somos de mundos desiguais. Eu sou de um mundo onde vivem perdedores. Onde habitam aqueles que já não acreditam mais, os que desistiram de tentar, os que tentaram sem conseguir, os que tentaram, conseguiram, se arrependeram e passam os dias pensando em como teria sido melhor se houvessem desistido sem nunca terem tentado. Sou de um lugar onde a dor não se cura, mas se mascara com um porre. Dos que rasgam fotos, queimam cartas e tentam em vão não lembrar. De um lugar onde a carência e a falta do último amor são esquecidas por minutos nos braços da primeira ruiva vagabunda que se possa encontrar, para tempos depois serem fortes como jamais haviam sido. De um lugar onde falhamos, pedimos perdão e até somos perdoados… mas onde nada volta a ser como era antes. Ela… ela é do mundo dos sorrisos. Do paraíso onde sempre há uma nova esperança, onde muito pouco é perfeito, mas… e daí?! Se não deu certo é bola pra frente, a vida segue, façamos o melhor! Ela é de um mundo em que não importa o tamanho da ferida se tudo um dia vai cicatrizar. De um mundo onde cada nova paixão é sempre como a primeira, e as pessoas se entregam de verdade, sem receios e sem reservas. De um lugar onde guardanapos escritos “eu te amo” são belas e importantes recordações, de onde “eu te amo”, dito, ouvido ou escrito sempre soa como sincero, não importa quem declara. De um lugar onde a saudade existe sem ser triste. De um mundo em que as pessoas são fortes o bastante para perdoarem os piores erros, mas têm orgulho suficiente para não voltarem atrás.

Eu ou ela, quem está mudando? Quem está entrando no mundo de quem?
Tudo é tão bom que às vezes tenho medo.
Ponho a mão em seu joelho. Lídia abre olhos, me olha, levanta, toca meu rosto e me beija de leve, como se dissesse “Não pense nessas coisas! Está tudo bem agora!”, adivinhando meus pensamentos.

O carro pára e eu a acompanho até o portão. Segurando suas mãos, calado, a encaro como se fosse possível dizer tudo em apenas um olhar. Ela, talvez ainda mais que eu, entende, e sorri desviando os olhos.

A pedido de Beto, o motorista buzina. Um beijo de boa noite e eu volto para o táxi.

Sei que um dia isso também vai acabar, e quando acontecer, pode ser que eu perceba que ninguém mudou e que o meu mundo é exatamente o mesmo de todas as outras vezes. Uma coisa porém talvez eu já tenha aprendido: para que pensar nisso? Esse ainda é só o começo!