Quase

Janelas abertas. Sereno fino lá fora. O vento é pouco, mas suficiente para balançar as cortinas.

Ela, deitada na cama ao meu lado. Eu, sentado à cabeceira, acaricio seu longo e ondulado cabelo negro.
Ela fita meus olhos marejados (não por sua causa, não mais, não ainda…), como se quisesse enxergar além do que se pode ver de imediato.

– De que você tem mais medo?
– Medo? Não sei… de fracassar, talvez.
– Mas fracassar em que sentido?
– Fracassar na vida. Ser medíocre, com um emprego medíocre, uma vida medíocre…
– Poxa, mas você é inteligente, você tem capacidade e…
– Mas não é só isso. Não é só emprego, dinheiro…
– O que mais?
– Sentimentos. Relações. Ficar longe – em todos os sentidos – da pessoa que eu amo, não saber reagir…
– Calma. Eu estou aqui.
– Mas não como eu gostaria.
– Hey, tá tudo bem! Espera… já ouviu falar que tudo tem seu tempo? Tudo vai dar certo. “O que é seu tá guardado”. Tudo tem sua hora.

Como alguém que me conhece tão bem ou mais do que eu, ela sempre sabe o que dizer. Eu que muitas vezes não entendo.

– Acho que nunca vou conseguir te esquecer.

Ela, muda, sorri, desvia os olhos, aperta minha mão.

Lá fora agora chove. E o som do vento e da chuva vem no momento em que, em um filme, a música tema chegaria ao refrão.

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3 Respostas to “Quase”

  1. natália dalle Says:

    lindo *-*

  2. PURA Says:

    Engraçaado como ela está sempre presente.

  3. Jorge Wagner Says:

    né?

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