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Impressões de Itatiaia

maio 30, 2007

 Ainda sobre o último fim de semana, segue abaixo uma versão bem mais pessoal, feita pro blog mesmo,do que o texto que vai sair na revista. Gostem ou não, aí está…
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Sexta-feira, 25 de maio de 2007. Dia seguinte à noite apontada pelos meteorologistas como a mais fria do ano até então, e lá vamos nós em direção à Itatiaia, atendendo ao convite dos hotéis do Parque Nacional para conhecer a programação do Festival de Inverno da região.

(OK! Talvez você precise saber a quem diabos me refiro quando falo em “nós”. Duas mulheres, repórter e repórter fotográfica do Jornal do Brasil, e eu, formando em jornalismo realizando seu primeiro frila na editoria de turismo para a… Revista do Turismo)

A imensa dificuldade que é deixar a capital carioca após às 5 da tarde de uma sexta-feira atrasa a viagem em mais de duas horas, e eu, que esperava nosso transporte na parada de Belvedere, próximo ao pedágio da Dutra, na altura de Seropédica, por volta das 6h15 da tarde, acabo sendo pego apenas às 8h40 da noite. Apesar da maior parte do percurso transcorrer sem qualquer problema, nossa chegada ao quilometro 317 da rodovia Presidente Dutra, que deveria acontecer no horário em que eu entrava no carro, se dá somente às 10 da noite.
Já dentro do Parque, somos recepcionados no Hotel Cabanas, onde já se encontram outros membros da imprensa. Feita algumas apresentações – para as quais admito não me importar no momento –, um pouco de comida e algumas taças de vinho branco (tomadas em rápidos e grandes goles) aquecem o corpo, alegram o espírito.
Somos convidados para assistir ao vídeo “Itatiaia Visto Por Dentro”, feito por Christian Spencer, artista plástico australiano residente no Parque há seis anos, dono de um português tão inteligível quanto só um australiano residente no Brasil há seis anos poderia ter. O vídeo, diz Christian, tem como intuito mostrar que o Parque Nacional não é feito apenas de cachoeiras, como parecem pensar alguns turistas que visitam o local. E os bons minutos em que somos apresentados às muitas árvores, flores, anfíbios, insetos, aves, felinos e primatas não deixam dúvida quanto a veracidade da afirmação de Chris.

Separados em grupos menores, descobrimos onde ficaremos hospedados. Eu e mais um um jornalista de São Paulo estranhamente parecido com um velho amigo drunk somos enviados para o Hotel Donati, mas não sem certa dose de adrenalina. Dora, nossa simpática anfitriã, dirige entre sacolejos e solavancos, sem parecer se importar com seu carro. Quando questionada sobre os perigos da estrada, responde: “Aqui é tranqüilo por causa das pedras. Teria problema se fosse chão, fizesse lama”. E dá-lhe fundo do carro raspando nas pedras tão queridas por Dorinha.

“Tem cachaça aí?”, me pergunta o paulista, já no hotel. O que o faz parecer ainda mais com meu velho amigo drunk.

Fundado em 1931 pelo alemão Robert Donati, o originalmente chamado Hotel Repouso do Itatiaia é o mais antigo da região. Como Robert havia perdido toda sua família durante a 1ª Guerra Mundial, nos conta a proprietária durante o café da manhã do dia seguinte, o hotel foi dado por herança ao compadre, Mamedes Vidal de Andrade, pai de Dora. Pianista, Donati sempre manteve boas relações com artistas – como o poeta Vinícius de Morais e o pintor Guinhard, autor de diversas obras espalhadas pelo local –, que se hospedavam freqüentemente no hotel. Além dos quadros de Guinhard, fotos de Marcos Sá Correia decoram cada espaço do Donati, desde a recepção, até cada um dos chalés.
Após o café, nos encontramos novamente com o resto do grupo e vamos em direção à cachoeira Véu de Noiva. A trilha, simples e não muito cansativa, atrai todo tipo de visitante – famílias, motociclistas (de passagem por Itatiaia por ocasião de um encontro na cidade de Penedo), grupos de estudantes e, irresponsabilidade a parte, até uma mãe com bebê no colo, por exemplo –, todos interessados em admirar a bela queda de 30 metros de altura.

Não posso deixar de reparar o quanto, entre paulistas e fluminenses, somos um grupo estranho. Entre outros, estão juntos:

  • alguém que procura por pinga à 1 hora da manhã;
  • um extremamente mau humorado guia, morador da região, que reclama do governo até quando lhe perguntam as horas;
  • um bem humorado repórter de economia, que não nega ter ido ao local “apenas para curtir”, e que só reclama da ausência do que chama de “pererecas nervosas”, realmente em falta no local;
  • uma bela estagiária de um grande jornal que, por ter sido encarregada de fechar três páginas sobre essa viagem, fotografaria até vento e entrevistaria até um macaco, caso fosse possível;
  • repórter e repórter fotográfica que nos encontram depois de já termos concluído a primeira trilha, porque, no friozinho da montanha, resolveram dormir um pouco mais.

Voltamos parte da trilha e tomamos o caminho em direção à cachoeira do Itaporani. Apesar da distância ser maior do que a que percorremos para chegar até o Véu de Noiva, qualquer sacrifício parece valer a pena quando chegamos ao nosso destino. A vista é recompensadora: duas quedas com seis metros de altura cada resultam em um largo poço com sete metros de profundidade. A temperatura porém inibe até aos mais animadinhos, e ninguém se faz corajoso o suficiente para arriscar um mergulho.

Nossa volta para o almoço no Donati é interrompida quando um grupo de macacos-prego cruza a estrada. Nossa van, carros de passeios, motos… todos param para ver, tirar fotos, filmar. É o momento de glória dos primatas, que além dos 15 minutos de fama ganham a simpatia de todos, e muitas frutas dos mais empolgados – o que acaba gerando boas brigas entre os pequenos. “Pede sua banana aí que essa maçã aqui é minha, filho da Chita!”
foto por Reinaldo Meneguim
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Pausa para Bohemia, bolinho de milho, quentão, bolinho de aipim, mais Bohemia, mais bolinhos… tudo como um breve aperitivo para o delicioso almoço e para as deliciosas sobremesas da cozinha do Donati.
Jornalista come feito porco.

A programação da parte da tarde começa com uma ida ao Mirante Último Adeus, no sétimo quilometro da Estrada do Parque Nacional. Do mirante, localizado sobre uma pedra de 90 metros, temos uma vista ampla das matas que cercam o Rio Campo Belo, responsável por abastecer o município de Itatiaia. Sobre o nome do lugar, uns acreditam ser pelo fato de ali ser a última oportunidade de se ter aquela vista. Eu fico com a teoria do caiu-já-era.

Ainda deslumbrados com a beleza da paisagem do Último Adeus, somos levados ao Ateliê Vivart. Aberto aos finais de semana e feriados, é lá que o casal de artistas Dioclésio José e Mirian Leite expõem e negociam sua obras, entre fotografias, pinturas, mandalas, esculturas, camisetas, mantas e outras. No mesmo embalo, visitamos a casa de Christian, o australiano, que nos mostra algumas de suas (pra lá de psicodélicas) telas.

Após algumas horas de merecido descanso (leia-se “banho quente, assalto ao frigobar e cama”), seguimos para um jantar no Hotel do Ypê, o mais alto do Parque, à 1250 metros de altitude. Vinho. Queijos. Vinho. Vinho. Um músico acompanhado de bateria eletrônica e guitarra com um repertório que vai de Jovem Guarda à Ivete Sangalo (“se ele tocar Nelson Gonçalves, juro que vou lá e canto!”). Vinho (“cadê o frio?”). Risadas. Seu-sotaque-não-é-dos-piores, eu-nem-tenho-tanto-sotaque-assim. Jantar. “Coca-cola, por favor”. Motoristas-de-São-Paulo-são-loucos, adolescentes-cariocas-são-todas-iguais. Vinho. Nem-cá-nem-lá-é-assim-tão-perigoso. “Devagar no vinho, garçom”. Sobremesa. Muita sobremesa. Voltamos ao Donati e eu simplesmente apago.

Às 11 da manhã de domingo, nos despedimos do Hotel Donati e rumamos para mais aventura: tirolesa e arvorismo no Hotel Chalés Terra Nova. Com uma área de 450 mil m2, Terra Nova é o único entre os hotéis da região que oferece esse tipo de atração, disponível para qualquer pessoa que tenha entre 40kg e 100kg, ao menos um certo gosto por adrenalina, e disposição suficiente para escalar árvores e deslizar por cabos de aço que chegam à 300 metros de comprimento. À frente do grupo, uma repórter que escreve para uma revista de aventuras e esportes radicais acha tudo muito simples e seguro. No fim, a estagiária, não emite um som, não reclama, não trava, só sorri, sem medo algum. Enquanto isso, no meio… Mais de 40 eu sei que tenho. Coragem, no way! Então… que diabos eu estou fazendo aqui, preso nessa coisa?! Pelo menos o pinguço e o humorista estão numa situação pior: travados, pálidos, tremendo. Mas concluímos a missão, todos inteiros, vivos, e com a certeza de ter esgotado a carga de adrenalina reservada para o resto do ano de 2007.

O Hotel Pousada Esmeralda, onde almoçamos, marca nossa última parada. Somando-se ao frio da região e às belezas naturais da mata ao redor, o bom gosto na decoração e a privacidade do local encarregam-se de explicar a razão pela qual o hotel, fundado em 1992, tem nos casais (“recém-casados, gente reatando, namorados, amantes se escondendo dos conjugues… vêm de todo tipo”, alguém nos diz) os seus hóspedes mais tradicionais. Infelizmente, chove, e nossos planos de conhecer os arredores da Pousada Esmeralda acabam sendo deixados de lado, trocados por algumas xícaras de café, antes de nos despedirmos.

Já não é tão frio na estrada. Pouco após nossa chegada, Christian, o Crocodilo Dandie psicodélico, com seu esforçado português, nos chamou atenção para o fato de Itatiaia não se resumir às cachoeiras. Enquanto o verde e belo Parque Nacional vai ficando para trás, dando lugar à estrada, aos três carros de passeio que se chocam à menos de 100 metros do carro onde estou e toda agitação do dia-a-dia comum, concordo. Itatiaia é cachoeira, fauna, flora, boas comidas (e boas bebidas), pessoas e, claro, boas histórias para contar.

“em vozes não ditas”

maio 28, 2007


Ótimo fim de semana em Itatiaia. Conforto, ótima comida, paisagens fantásticas (a da foto é a vista, para o lado esquerdo, de um lugar chamado Último Adeus), boas conversas, tirolesa, arvorismo e tudo mais. Agora é a hora de começar a escrever sobre (e não esquecer de escrever a monografia também… tá acabando o tempo…). Assunto é o que não falta!
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Dia estranho por aqui. “Os pensamentos vagam em tempos diferentes, dissonantes caem sobre a mente”, cantaria um amigo. Ou ainda, como diria Jeff Tweedy, “eu tento permanecer ocupado / eu lavo os pratos, eu corto o gramado / eu tento me manter ocupado”. Talvez isso seja mesmo o melhor a se fazer, mas não tem surtido efeito.
Certas horas me pego desistindo. Num momento sorrio, no outro entrego os pontos. Fazer o quê?
Tudo o que penso é que as coisas deveriam ser mais fáceis, ao menos de vez em quando, para todos nós.

Desculpem o baixo astral. Isso passa.
Mas não hoje.

Alice

maio 25, 2007

Os cariocas da Alice disponibilizaram em sua página no site purevolume três músicas que vão estar presentes no novo álbum da banda, Ruído, previsto para ser lançado em junho.
As três belas faixas que se escondem por trás dos estranhos nomes 8h00min, 8h39min e 9h10min podem agradar aos fãs de Gram e aos carentes fãs menos ortodoxos de Los Hermanos (que não liguem para a ausência de “sambinhas”), mas a referência maior é mesmo o Sonic Youth de discos como NYC Ghosts & Flowers.

Recomendo.
Aqui.

Frila

maio 24, 2007

É pra lá que eu vou: Itatiaia. Gorro na cabeça e luva nas mãos, e pouco importa se nem vai estar tããão frio assim.
Consegui um frila pra esse fim de semana e, entre sexta e domingo, marco presença no Parque Nacional e tenho uma prévia da programação do Festival de Inverno, que acontece nos meses de junho, julho e agosto.

Não sei quando o texto vai estar pronto e nem quando será publicado, mas assim que tiver algo, comento por aqui.

O bacana vai ser o desafio. Desconsiderando aquela história do documentário para a faculdade sobre o Pico da Pedra d’Água, na Ilha Grande, é minha primeira experiência na editoria de turismo.

E claro, de patrão…

algum tempo

maio 21, 2007

Ela foi sua primeira paixão em muito tempo. A primeira vez em tempos que sentiu-se humano, que se importou com algo e com alguém. Foi ela que o fez pensar “talvez valha a pena levar isso à diante!“. Foi ela quem o fez, pela primeira vez em anos, se sentir feliz, se sentir completo, acreditar novamente em si mesmo e no mundo.

Mas o tempo passa, as coisas mudam, e pela primeira vez ele soube que nunca até então havia sido tão triste quanto passou a ser depois que, por alguma razão, o que houve entre eles acabou.

Perdeu a razão, perdeu a cabeça, perdeu a dignidade. Fez coisas das quais não se orgulharia, quis esquecê-la da maneira errada, bebeu de cair, a seguiu, implorou. Perdeu a voz, o orgulho, o sorriso. Demorou algum tempo para entender que, apesar de tudo, não era o fim da vida, o fim de sua humanidade, de seu amor. Demorou algum tempo para entender que, se essas coisas não haviam morrido, deveriam portanto aprender a conviver em meio a uma única, estranha e bela forma de amizade.

Faria um ano hoje desde aquele dia em que ela pareceu brilhar mais que qualquer outra. E em uma semana, um ano desde o dia em que ela aceitou e o presenteou com alguns dos melhores meses que ele jamais havia pensado em ter.

Não muito longe um do outro, talvez agora ela durma, como após um longo e cansativo outro dia qualquer. Ele porém gasta algumas horas lembrando, e, ao levar suas mãos ao rosto, poderia jurar sentir nelas o perfume de sua pequena. Respira fundo e sorri: não se trata de impressão.

Ela talvez agora durma. Ele, sem sono, finge ser de outro uma história que é só sua.

A mordaça do Robertão

maio 9, 2007

O Takeda, há algum tempo, comparou seu gosto por Caetano Veloso ao seu gosto por pepinos. “Até como um de vez em quando no meio do meu Big Mac. Mas isso não significa que eu goste de pepinos”, disse. Pois para mim, pepino mesmo sempre foi Roberto Carlos. No meio de “Big Macs” até que passam uma ou outra composição, uma ou outra interpretação, alguns arranjos e risadas proporcinadas pela dancinha ao lado do MC Leozinho enquanto esse cantava “Se Ela Dança, Eu Danço” acompanhado por uma orquestra caprichada, fazendo coroas globais perderem a linha na platéia. Pouco importa: a única pessoa com cabelo de poodle que eu já admirei foi MacGyver de Profissão Perigo, mas isso quando eu tinha cinco anos e tentava fazer bomba usando goma de mascar.
E pode argumentar com o que quiser: relevância histórica (comecei um trabalho sobre Tropicália sem ter um único disco do Caê, o que significa que sei dividir gosto pessoal de reconhecimento histórico), recordes de venda (Arctic Monkeys vendem absurdos, mas nem tente me convencer que aquilo presta) e tudo mais: juro que já até tentei, mas não gosto de Roberto Carlos. Não adianta. É fato.

Respeito. Ok! O cara merece respeito assim como qualquer outro ser humano. Merece tanto respeito quanto você, eu, o porteiro do seu prédio, a caixa de supermercado e o biógrafo. Sim, claro. Roberto Carlos merece tanto respeito quanto Paulo César de Arajújo, que você sabe, depois de 15 anos escrevendo a história de um cantor que tinha como ídolo, foi judicialmente proibido de comercializar o resultado do trabalho de uma vida inteira. O doutor mandou e a editora Planeta foi obrigada a entregar para RC cerca de 11 mil exemplares que tinha em depósito, além de ter 60 dias para recolher os exemplares que estão no mercado. Um ato tão estúpido que chegou a arrancar de Paulo Coelho uma declaração sensata (e quer algo mais surreal que uma declaração sensata vinda de Paulo Coelho?!): “Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil”.
Pois eu não vou comprar seus discos, levando em conta que nunca fui mesmo de fazer essas coisas. Mas na condição de alguém que se sentiria extremamente desrespeitado ao ser proibido de comercializar o resultado de anos de dedicada pesquisa e trabalho sério, somo minha voz ao coro dos que se mobilizam contra a injusta e desnecessária mordaça de RC.


baixe Roberto Carlos em Detalhes aqui

Agradecimentos ao Escriba, pela gentileza de divulgar o link.

Uhuuul!

maio 7, 2007

Aaaah, caramba!
Depois de mais de um mês batendo a cabeça no monitor, consegui fechar o capítulo 2 da monografia.
Agora tenho +/- mais um mês para começar e terminar o capítulo 3 e revisar tudo, desde o começo.

Tá bem. Quem precisa de cinema, shows, namorada, vida social e outras trivialidades do gênero?