tcc, tcc, tcc…

Nos últimos anos, o mercado editorial presencia um significativo aumento no número de revistas especializadas nas mais diversas áreas. Em meio a essa realidade, a Bizz – que havia encerrado suas atividades em 2001 – volta ao mercado em setembro de 2005, mas não tarda em ganhar como concorrente a segunda versão da Rolling Stone Brasil. O que suscita ao seguinte questionamento: o que há de relação entre o cenário cultural e o mercado editorial que surge após e sob influência do Tropicalismo (possibilitando o surgimento da primeira versão da revista Rolling Stone Brasil) e o contemporâneo (capaz de abrigar uma nova encarnação da Rolling Stone tupiniquim)?

Uma vez que a música é uma forma de arte que passa por inúmeras modificações ao longo dos anos, sem contudo deixar de existir ou de cativar novos públicos, este trabalho defende a idéia de que sempre haverá espaço para publicações que pratiquem o jornalismo musical – desde que as mesmas se adaptem à realidade de sua época, é claro. Entre as diversas mudanças ocorridas desde meados da década de 1960 até os dias atuais, encontra-se a questão de quem seria o jovem de hoje, e quais seriam os seus anseios.

Como vimos, apesar da ousadia de se tentar, a exemplo do conceito modernista de antropofagismo, tornar a música popular brasileira mais próxima de um produto “universal”, o Tropicalismo não se pretendia um movimento revolucionário, político-questionador. Sua revolução, do contrário, estava mais ligada à estética musical, à “retomada da linha evolutiva” da música nacional através da sua incremetação com elementos da música pop estrangeira. Ainda assim, em meio a agitação em torno dos movimentos de contracultura que ganhavam destaque em todo o mundo, o movimento baiano serviu como base para que o conceito de juventude surgido, no exterior, durante a década de 1950, encontrasse um contexto para se instaurar por esses lados do Atlântico.

Quando surgiu, em 1972, a primeira versão da RSB, a juventude, ainda muito influenciada pelos diversos movimentos de contracultura – e, no Brasil, com o agravante de estar sob uma ditadura –, buscava referência no underground, no alternativo, no “marginal”. De meados da década de 1960 até os dias atuais, muita coisa mudou: a ditadura chegou ao fim; os tropicalistas perderam seu status de “malditos” e tornaram-se referência; a MPB assimilou informações originárias do rock; o “rock brasileiro” ganhou linhas mais bem definidas; o mercado se apropriou do que antes era considerado underground, o transformando em mainstream, a medida em que os aspectos subversivos do rock foram sendo postos de lado “após a morte de seus heróis ou na emergência de discursos mais piedosos (ecologistas, naturistas, espiritualistas, new age) adotados pelos remanescentes.”. Tudo, claro, acompanhado pelo alinhavar da juventude, que, impulsionada pelo “mito da novidade”, assimila cada mínima mudança no contexto cultural e mercadológico. Nada mais natural, portanto, que a segunda versão da RSB, ao retornar às bancas de jornal em outubro de 2006, em meio a um cenário bastante diferente do que abrigou sua primeira encarnação, abra mão de boa parte de sua anterior postura “alternativa” (comprovada, por exemplo, pela ousadia dos números assumidamente “piratas”) em prol de uma relação mais próxima do que é, hoje, o mercado pop.

Trecho do capítulo “Considerações sobre Imprensa Musical, juventude e revista Rolling Stone“, parte da monografia “Imprensa Musical no Brasil e a Revista Rolling Stone“, que eu tenho até HOJE para concluir.

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