“L’avventura”

Dessa vez é diferente. Não há pedidos, tempo para repensar, alternativas que não tenham sido tentadas.
Desce devaga as escadas, e, mesmo sem olhar pra trás, sabe que ainda ali, ela o observa encostada frente à porta do apartamento.
O maldito cachorro o estranha mais uma vez, e pela última vez, até onde todos sabem.

“Pelo menos disso eu não vou sentir saudades.”

Tenta não fazer alarde enquanto bate o portão. A rua deserta. Atravessa, olha para o prédio. A luz do quarto se acende.
Disfarça e sai, devagar, enquanto vê, por sobre os ombros, que ela o observa partir.

Respira fundo e, como costumava fazer nos primeiros dias – nos bons e felizes dias – se vira, abre um sorriso, acena com um beijo e dá alguns passos para trás antes de voltar ao seu caminho.

O coração bate apertado. Triste, resignado.

“Tinha que ser assim.”

Noites sozinho, telefones que não tocam, piadas sem graça sem ter com quem dividir.

Não é fácil. Nunca foi. Mas um dia tudo há de melhorar.
Pelo menos até o momento de provar em outra história o desabor de um novo fim.

Uma resposta to ““L’avventura””

  1. Leo Says:

    é, a vida é cíclica.
    será que a gente enjoa dela?

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