Archive for setembro \27\UTC 2007

Estúdio, parte 2

setembro 27, 2007

Lembra que eu escrevi aqui sobre o Estúdio Coca-Cola RJ? Pois o Schott postou lá no blog dele sobre o funcionamento do esquema para conseguir os convites. A Fabiana Neves fez a mesma coisa no blog dela.

Então anota aí: se você tem em mãos as pulseiras amarelas e vermelhas (uma de cada, baby), é só aparecer nesse sábado, 29 de setembro, a partir das 10 da manhã, no Hard Rock Café ou no Botafogo Praia Shopping para trocá-las pelo convite.

E se você não tem nada pra fazer nesse dia 7 de outubro, quer aparecer por lá e ainda não tem as pulseiras, faz assim: aparece amanhã, dia 28, na porta do Colégio Rio de Janeiro, na Gávea, às 9h30, ou às 12h na porta do Colégio Santo Agostinho, no Leblon, ou ainda às 13h30, no CCAA de Ipanema.

Qualquer coisa a gente se esbarra por lá e troca uma idéia. =]
***

E me permita discordar, Bruna, mas esse título de “blogueiro de Paracambi bastante conhecido em outras regiões do Brasil” já é do Fred Leal faz tempo, e dele ninguém tasca!

[sem título]

setembro 26, 2007

– E aí! Tudo bem, menina?!

Pergunta enquanto, aos acordes finais Stacy’s Mom, retira os fones dos ouvidos, ajeita os óculos, desamassa os cabelos.

– Tudo sim! E com você?
– Bem também, graças a Deus!

Ela sorri. Ou pelo menos é o que tenta demonstrar quando envia a mensagem com aqueles sinais.

– Deixa eu te perguntar uma coisa…
– Claro, diz aí!
– Um dia desses eu estava procurando pelo perfil de uma garota com quem tinha certo contato quando estudava aí na sua cidade, mas não encontrei…
– Quem?
Hmmm, o nome dela é _______, deve estar com uns 20 anos agora. Morava naquela rua ali perto da ____ ___, tem um irmão, mas não lembro o nome dele…
– Ah, é _____!
– Isso! Caramba, você conhece! Muito tempo que não a vejo, nem tenho notícias!
– Conheço sim, cara! Ela é minha prima!

Sem enviar quaisquer sinais que demonstrem isso, ele sorri. Lembrou dela um dia desses, se perguntou quanto tempo passou e concluiu: pelo menos bons seis anos. E agora, assim, de repente, descobre que conhece alguém da família.

– Nossa! O mundo é mesmo muito, muito pequeno! – diz, pensando na próxima pergunta que pretende fazer. Mas nem tem tempo.
– Ela é minha prima. Casou, tem até uma filhinha, linda, chamada _____.
– Nossa! – e isso é tudo. Engole seco. Perde as frases.

– Ela era sua amiga ou… algo mais?
[…]
– Ei…?

Ele pensa em algo, mas não sabe o que dizer. Coça a cabeça, sorri, meio sem graça, meio sem crer. E de repente é como se pudesse se sentir, ao mesmo tempo, o mais infatil e o mais idoso entre os homens.

“Em algum lugar perto daqui, deve haver uma terra onde ex namoradas não se casam antes dos 21. Ex-casos da adolescencia não têm filhinhas lindas chamadas ____.”

Leva os fones novamente aos ouvidos e volta às canções triviais sobre adolescentes que se apaixonam pelas mães de suas amigas, sobre caras que sim, vão ser estrelas, sobre caras que parecem Buddy Holly.

Ele ainda gosta de desenhos animados…

Desce 1 Lead, Medo & Delírio e divagações sobre sentimentos

setembro 24, 2007

Mais uma dica, mas dessa vez não tem relação com música.

Seguinte: um grupo de seis estudantes do quarto período do curso jornalismo da PUC-Rio, na busca de um lugar ao sol, colocaram no ar o blog Desce 1 Lead, onde colocam em prática o que aprendem em sala de aula. Entre as primeiras postagens, destaco a cobertura de uma passeata realizada por alunos da universidade contra a absolvição do padrinho Renan Calheiros, no última quinta-feira.
Vale a pena acompanhar.
***

Finalmente li Medo & Delírio. Em dois dias.
O que eu posso dizer? É muito, muito f*#@! O tipo de livro que quando se começa a ler, não dá para largar.
Melhora se você já tiver assistido o filme (você já assistiu, não?!). Só não saia por aí dizendo que se trata de um livro “bem baseado no filme”. Pega mal…
***

“Amor é besteira. Emoção é besteira. Eu sou uma rocha. Um panaca. Sou um babaca insensível, e tenho orgulho disso.”

Chuck Palahniuk sabe como chocar. Estou terminando de ler No Sufoco e, definitivamente, Victor Mancini, o autor da frase acima, é um dos personagens mais repulsivos que encontrei nas páginas de um livro em muito tempo (nota: Derek Delano, criação da Lolita Pille em Bubble Gum, faz parte de outro departamento, o de personagens babacas, mas geniais). Mas até que dá pra entender (não disse nada sobre concordar com) o lado dele – que, entre outras coisas, freqüenta grupos sexólatras anônimos de vez em quando com a intenção de conseguir parceiras – de vez em quando.

Pense em um relacionamento. Duas pessoas. Duas cabeças. Dois mundos.
Você e ela passam juntos alguns (quase sempre) felizes meses, ou anos. E quando termina você se pega questionando se aquilo tudo foi mesmo real. Ela era de verdade? A pessoa que você foi enquanto estava com ela era uma pessoa de verdade? As lembranças que você tem… será que tudo foi exatamente da maneira como você se recorda?
A questão não é ignorar o aprendizado(mesmo que seja apenas para você saber bem sobre coisas que jamais gostaria de repetir) que se tem ao dividir trechos da sua vida com outra pessoa. O problema é o depois. Para ser mais exato, aquele tempo entre tirar a poeira da relação passada e se apaixonar novamente.

A fase Manciniana: “deixe o amor para os amadores” (pra usar o título do cd dos Rectrovisores como referência).

Mesmo aceitando a idéia de que ser um “babaca insensível” pode nos poupar muitos problemas, não é algo digno de orgulho.
Sou do time dos que acreditam que vale a pena arriscar. Vale a pena torcer para encontrar aquela garota, naquele horário, naquele ponto de ônibus, naquela estação do metrô. Vale inventar desculpas para conseguir o número do telefone daquela prima do seu amigo. Vale a pena bancar o interessado em assuntos que te causam sono só para ver aquela pessoa sorrir. E se suas investidas derem resultados, vale a pena estar ao lado dela, se permitir enxergar as coisas por uma ótica diferente, criar lembranças que, tempos depois, vemos que não foram assim tão verdadeiras.

Acho que é por isso que ando chato ultimamente (ok! eu sou chato, mas quero dizer, mais que o habitual).
Uma pessoa uma vez me disse que fico bem quando estou apaixonado. E se ela tinha razão… talvez eu precise me apaixonar novamente. O quanto antes.

Dica

setembro 22, 2007

Lembra de The Invisibles?
Aquela banda de Barra Mansa de hardcore/punk que era (ainda é?) citada por quase todo músico carioca que faz esse tipo de som (nota: a geração de pós-Dibob e Forfun não conta).
Aquela banda que começou em 96, tocou com Samiam, Sepultura e mais uma porrada de gente grande, ganhou respeito e acabou no ano passado.

O Fábio, ex-vocalista e guitarrista, agora tem uma banda nova. Bem, na verdade ele é a banda nova (é ele quem grava as guitarras, os vocais, os teclados, os baixos e programa as baterias), atendendo pelo nome de Driving Music. Powerpop na língua de McCartney, coisa boa.

Confira aqui, ó.
I Am Trying Not To Break Your Heart não sai do meu playlist.

Ah… não lembra de The Invisibles? Sem problemas…
Driving Music é beeem mais legal! =]

Estúdio, parte 1

setembro 19, 2007

Juntar, em um mesmo palco, duas bandas de trajetórias e estilos distintos. Reler músicas do repertório de ambas e apresentá-las com novas caras. Comer, digerir e regurgitar algo (teoricamente) novo – puro antropofagismo cultural, baby! Sincretismo musical!

Uma boa proposta essa do Estúdio Coca-Cola, não?!
Hmmm… talvez.
Quando a tal mistura inclui nomes como Lenine & Marcelo D2, Nando Reis & Cachorro Grande, Skank & Nação Zumbi, vale pelo menos pela curiosidade.

Por outro lado, quando a mistura inclui Negra Li & Pitty, Armandinho & Nx Zero, Babado Novo & CPM22 – gente tão irrelevante junto quanto em separado (ok! eu até que gosto da Negra Li, e costumo gostar de ver a Cláudia Leite na tevê, desde que não seja cantando…) – o slogan deveria ser algo parecido com “Estúdio Coca-Cola: a arte de misturar artistas que não lhe agradam com artistas que você despreza“.

Pois depois da realização das seis combinações citadas acima (agora na ordem: Lenine & Marcelo D2, Negra Li & Pitty, Nando Reis & Cachorro Grande, Armandinho & Nx Zero, Babado Novo & CPM22 e Skank & Nação Zumbi), a Coca-Cola decidiu realizar novas misturas em diversas cidades do país.

O primeiro dessa série de shows “regionais” aconteceu no primeiro domingo de setembro, no Espírito Santo, levando ao mesmo palco o carioca Marcelo D2 e os capixabas do Dead Fish, com direito a covers para, entre outras, Polícia, dos Titãs, e Eu Quero Ver o Oco, dos Raimundos (dos tempos em que o grupo era algo mais do que uma banda cover de si mesma). Houveram também os de D2 & Ultramen, em Porto Alegre, e Armandinho & Fresno (urgh! indigesto, ein?!), em Londrina.
No próximo dia 07 de outubro, é a vez do Estúdio RJ reunir, no palco do Hard Rock Café, na Barra da Tijuca – tchamtchamtchamcthaaam – Armandinho e Dibob.

Como a própria assessoria faz questão de explicar no fotolog oficial, o evento não é feito apenas para os fãs de Armandinho e Dibob, mas também para quem não tem interesse por nenhum dos dois (caso desse que vos escreve – se por um lado, com um pouco de boa vontade, Dibob pode até soar engraçado, por outro, Armandinho é tão interessante quanto um capítulo de novela do SBT), mas tem alguma curiosidade em saber o resultado da mistura.

E é por essas e outras que, uma vez convidado, confirmo minha presença por lá, 07 de outubro, às 17 horas.

Do Meio

setembro 18, 2007

– Aqui, você malha?
– Aham. Nem parece, né?
– É, não parece…

O ônibus da linha 867, com saída da pequena rodoviária de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, parte às 7h55 com destino à Barra de Guaratiba, levando em seu interior os habituais farofeiros de final semana. Gordas de biquini e canga, adolescentes anabolizados, garotas de pírci no imbigo, de pele queimada (no alto da laje) desde a última quarta-feira, pelinhos descoloridos à amônia e cabelos – naturalmente – loiros.
Claro, algumas pessoas devem destoar da maioria. E de fato destoam. Ali está a senhora com óculos fundos-de-garrafa, lendo versículos em sua velha bíblia desbotada, e aqui está o jornalista recém-formado (e desempregado), magro e despenteado, ao lado de sua amiga pequena, magra e com cara de sono (que sabiamente esconde os olhos inchados por trás de seus óculos escuros). E pela palidez de ambos, de longe se pode perceber que a palavra praia não deve ter sido pronunciada por nenhum dos dois nos últimos tempos.

Com a chegada ao ponto final (muitos “cálega”, “é nóis”, “pobrema é meu” e “sá parada” depois), a maioria dos passageiros simplesmente pula da calçada para a areia. Alguns forram sua toalhas e cangas no chão, prontos para uma manhã de sol intenso, outros ocupam seus lugares às mesinhas dos quiosques, sedentos, às 9 da manhã, pela primeira das muitas latinhas de cerveja vagabunda que pretendem sorver ao longo do dia. A minoria (de um lado um grupo formado por um garoto com menos de dez anos, dois caras grandes portando varas de pesca e um gordinho encarregado de levar a caixa de isopor com as bebidas do dia, e, do outro, o magrelo despenteado e magrela baixinha), porém, segue adiante.

O caminho, que começa com um lance íngreme de escadas cimentadas, aos poucos se transforma em uma trilha de terra e pedras. Sobes e desces e “cuidado pra não escorregar aqui” à parte, não se trata de uma caminhada complicada. Considerada por especialistas como uma trilha de dificuldade moderada, qualquer pessoa sóbria e com o mínimo de preparo físico – capacidade de respirar e joelhos firmes – pode se aventurar por ela.
A primeira atração para quem segue por esse caminho é a Praia do Perigoso. Lá embaixo, uma meia dúzia de coloridos guarda-sóis, alguns pseudos-surfistas. Mas todos seguem até alcançarem, mais à diante, a bela Praia do Meio.

Mais guarda-sóis coloridos, saudáveis aventureiros apertando alguns, uma pincher fêmea latindo e correndo de um lado ao outro, alunos de uma escola de surf no Recreio, Pedro Neschling – com seu ridículo bigode – fazendo trilha, grandes ondas arrebentando. Uma praia semi-deserta há pouco mais de uma hora da barulhenta urbe, seus “cálegas”, “pobremas” e suas cervejas baratas (aliás, longe de qualquer tipo de cerveja – e talvez esse seja o único ponto-fraco do local –, mas nada que uma caixa de isopor, como a do precavido gordinho, não possa resolver).

Mergulhos, caminhadas e fotografias. Quatro horas e tantas depois, o magrelo despenteado e magrela baixinha, depois de trocarem o adjetivo “pálidos” por uma pele mais vermelha que morena, resolvem voltar. E, alheios ao fato de terem acordado cedo, alheios aos ônibus cheios fedendo a suor e cerveja choca, trazem no rosto largos sorrisos por um domingo que valeu a pena.

a praia

o magrelo

Dica

setembro 15, 2007

Aproveito o gancho da Bienal do Livro, no Rio, para dar uma dica: sabe o livro Medo e Delírio em Las Vegas, do tio Hunter? Já falei dele por aqui antes…
Pois bem. Se por acaso você estiver interessado em comprá-lo (e se por acaso, assim como eu, não vai à Bienal), uma boa é comprar pelo site da Fnac. Tá saindo por R$31,50, pelo menos 10 reais mais em conta do que na maioria das outras lojas (como a Saraiva e mesmo a loja da Conrad, por exemplo).

O meu chegou ontem (e ao contrário do que possa parecer, eu não recebi nada por esse post… alô Fnac!). De quebra, levei também o No Sufoco, do Chuck Palahniuk, e As Horas, de Michael Cunningham (gosto muito do filme! vamos ver o livro).

Agora é por minha leitura em dia. É terminar o que estou lendo e partir para os três que chegaram (um doce para quem acertar qual deles é o primeiro da fila). (=

1 ano de Canção Pobre

setembro 10, 2007

Esse humilde espaço completou, na última sexta-feira, o seu primeiro aniversário.
Não sou muito amigo das datas comemorativas (na verdade eu sequer teria notado esse “aniversário” se o Zito não tivesse me falado), mas tudo bem. Não tiro delas o mérito de servir como marco para mudanças.
Quantos de nós não se pega pensando em coisas como “nessa mesma época, no ano passado, eu estava fazendo isso, meu cabelo era assim, eu pesava tanto, fulano namorava fulana, vôvo ainda era vivo”, etc?
Em um ano de Canção Pobre muita coisa – nossa! muita coisa mesmo! – aconteceu pra mim. E mesmo considerando o fato de eu não usar esse espaço como um real diário virtual, boa parte dessas coisas estão registradas aqui. Algumas sem rodeios, outras escondidas em contos e por aí vai.
Do primeiro post oficial até hoje, como já disse, muita coisa aconteceu. Tive dias memoráveis, dias péssimos, li muita coisa, ouvi muita coisa, fui o mais feliz, o mais tolo, o mais cara de pau, o mais arrependido. Fui rei e fui capaxo. Conheci muita gente, me despedi de muita gente. Mudei, mudei outra vez, tornei a ser quem jamais havia sido.

Agradeço a cada uma das – até o momento em que escrevo – 29559 visitas (um número baixo, se comparado ao número de acessos do meu outro blog, o wilcoetc, mas ainda assim, um bom número). Aos que passam sempre por aqui, aos que vieram uma única vez, aos que comentam sempre (valeu Zito, Doug, Karen, Carina), aos que comentam de vez em quando (Lara, Manu, Bizzy, Inagaki) e aos que nunca comentaram. Obrigado. Mesmo.

Continuo por aqui com meus sorrisos, minhas reclamações, minhas declarações veladas, minhas paixões declaradas, minhas pequenas inutilidades.
A gente se fala! =]

Morfina

setembro 4, 2007

[Da série “escrevi e não gostei”, posto porque algumas amigas curtiram]
***

Eu lhe observo dormir.
Ao seu lado eu me atendo aos detalhes. Cabelos sobre o rosto, perna direita dobrada, som da respiração. O seu perfume inundando todo o quarto.
Sorrio e acaricio seu braço. E esfrego os olhos tentando espantar o sono.

Esse mundo é meu, mas você pode ficar.

O vento lá fora parece cantar. As paredes que nos cercam me parecem ser seguras. Nada vai nos perturbar agora. Você dorme e eu espanto os sonhos ruins. Apenas fique por aqui… esta noite e ao acordar. Esta noite, e amanhã. E sempre.

Seu perfume e o som da sua respiração. A forma como puxa o meu braço por cima dos seus ombros. Os resmungos sem sentidos ditos entre os sonhos.
Eu lhe observo dormir e, por um segundo, quase chego a acreditar que é real.
A vontade de perturbar seu sono por instantes, tocar seus lábios, guardar a sua imagem.
A vontade de ficar aqui pra sempre, de jamais acordar, de soprar bem baixo em seu ouvido que te amo, seja o nome que tiver, seja lá você quem for.