Archive for novembro \29\UTC 2007

Cum On! Feel The Tocantinoise

novembro 29, 2007

Está em São Paulo e quer algo para fazer hoje de noite? A boa é essa aqui, ó:

Sabe a proposta dos MOJO Books em que discos são recontados na forma de livros? Pois essa semana foi o lançamento do MOJO Cum On! Feel The Tocantinoise, de Sebastião Estiva, recontado por… Sebastião Estiva! Então quem melhor para tocar na festa de lançamento do livro do que o próprio Sebastião Estiva?!

Vi o vídeo preparado para abrir a apresentação, e só por ele, vai por mim, eu não perderia esse show se estivesse por esses lados.

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Blips & Blops

novembro 28, 2007

Carlos Eduardo Lima, jornalista, autor do livro Vestido de Flor e, como ele mesmo gosta de se definir, fã de “silly love songs há muito, muito tempo”, pede pra avisar que está voltando com a coluna Blips & Blops lá no site da Rock Press.
De cara, um texto que trás considerações sobre o retorno do The Police (no embalo da apresentação que a banda fará no Maracanã), e sobre quem são os leitores de matérias sobre música pop (e é aí que CEL mostra a razão de ter minha admiração).
Uma prova:

(…) Quem é você? Qual a sua relação com a música? O que você espera dela? Parece que chegamos a uma encruzilhada no Brasil (e no mundo, claro) quando o assunto é leitor de matérias sobre música pop: ou o cara é um indie chato, pretensioso, metido a saber tudo, turbinado pela conexão de banda larga que o pai, fã de Roberto Carlos e Alcione, paga em casa, ou é aquele protótipo do “roqueiro”, que as emissoras de televisão gostam tanto de falar sobre, quando o assunto é manchetes de consumo de drogas ou alguma arruaça.
(…) Ou o sujeito ouve NX Zero e Pitty ou ele ouve Suburban Kids With Biblical Names (banda sueca de extra-ultra low-fi). Cadê o meio-termo? Cadê a noção de que o novo não é recente e sim inédito?(…)


Leia o texto na íntregra que é melhor.

Anteluz

novembro 27, 2007


Sabe a Alice? Não a personagem do Lewis Carroll, a banda carioca sobre a qual já gastei algumas linhas nesse blog algumas vezes, e tive um texto no qual dissecava toda a trajetória até o lançamento de Ruído, seu trabalho mais recente, publicado no Speculum.
Pois agora você tem mais uma chance de conhecer o trabalho do grupo: Anteluz, disco lançado em 2005, foi remixado e remasterizado e está novamente disponível para download na página da banda no site da Trama Virtual.
Gosto muuuito das três primeiras faixas.

Elas

novembro 23, 2007

O Mac escreveu lá no blog dele um dia desses sobre White Chalk, álbum mais recente da PJ Harvey, definido por ele como “denso e sombrio”. Já o Rodrigo Falcão me recomendou The Story, da Brandi Carlile, cantora que, por ocasião do lançamento de seu álbum de estréia, foi apontada pela Rolling Stone gringa como uma das maiores promessas de 2005 (e que segundo alguns, finalmente acontece em The Story).
Duas propostas bem diferentes (o da PJ é muito mais difícil de digerir, enquanto, pelo que li, parece que a Brandi emplacou até música em uma dessas novelas aí), mas ainda assim, ambos muito indicados caso você, assim como eu, seja fã de canções belas e tristes.

Antes que eu me esqueça: baixe White Chalk aqui e o The Story aqui (links retirados da comunidade Discografias, no orkut).

Parte 3

novembro 20, 2007

– E você… não vai mesmo fazer nada, né?
O que eu poderia fazer? Ela parecia decidida dessa vez. Não seria certo atrapalhar. Não seria certo dizer “Calma! Pensa melhor se você tem certeza de que é isso mesmo que quer!”. Não dava pra fazer isso, caramba! Eu a conhecia, e apesar dessa ter sido uma das poucas vezes em mais de três anos que a vi realmente certa de uma decisão, sabia que a soma de meia dúzia de palavras com mãos ao redor de sua cintura e um beijo entre o pescoço e a orelha seria razão suficientemente forte para fazê-la mudar de idéia.
– Eu ajudo a arrumar as malas.

Não é difícil entender porque tivemos lá a nossa história. Vindos de cidades vizinhas do interior fluminense, chegamos a São Paulo mais ou menos na mesma época, com alguns meses de diferença. Graças a alguns amigos em comum e àquela coisa de “tenho uma amiga que se mudou para aí também por esses dias”, nada mais natural que, em pouco tempo, estivéssemos nos encontrando pelo menos duas vezes na semana. Acrescente aí alguns telefonemas e mensagens em alta madrugada. Acrescente aí o fato de que nunca fiz – e nem nunca quis fazer – esforço para resistir a sorrisos e, vai por mim, pelo menos há três anos atrás, Bruna tinha um sorriso e tanto.

– Porra, Rodrigo! É seu filho, cara!
– Eu sei disso! Vai por mim, caramba! Não vou faltar como pai!
– Como não?!
– Não vou, cacete! Eu te mando uma grana!
– Grana, grana… não é disso que eu to falando!
– Ah, tá bom… vai começar com aquele papo de “filho crescendo sem pai”? Não sei se você percebeu que quem tá indo embora é você.
– Filho da puta!
Ok, eu sei que não deveria ter falado isso. Mas falei, e não era mentira, era? Eu deveria ter pedido desculpas, mas pedidos de desculpa não fazem o meu tipo.

Bruna tinha chegado àquela hora em que se percebe que não adianta mais tentar. Acho que, de uma maneira ou de outra, todos passam por momentos assim pelo menos uma vez na vida. Algumas pessoas desistem de tentar parar de fumar. Há aquele pai de família, casado há quinze anos que, de uma hora pra outra, desiste de tentar esconder sua real opção sexual e vai morar com um garotão. Há o engajado que um belo dia admite que o próprio bolso é muito mais importante do que qualquer discurso sobre elite e proletariado fedendo à naftalina. Bruna desistiu de acreditar que um dia eu poderia a retribuir, nas mesmas proporções, tudo o que ela sentia por mim. E eu não quis me esforçar para fazê-la mudar de idéia, pela simples razão de saber o quanto ela estava certa.

Não fiz questão de contrariá-la quando ela preferiu que eu a acompanhasse apenas até o elevador. Também não me senti ofendido quando a tentativa vã de beijar seu rosto depois de desejar boa sorte foi respondida com um amargo “não torne isso ainda mais difícil”. Difícil? O que ela não podia enxergar era que depois disso as coisas começariam a melhorar. Em pouco tempo eu estaria num emprego melhor e num apartamento menor, de aluguel mais barato. Ela estava voltando para a casa da mãe, teria ajuda para criar o nosso filho em um lugar calmo, limpo, tranqüilo. Difícil não foi o adeus. Difícil foi entrar no meu quarto, no quarto que naquele momento me parecia desnecessariamente grande, e perceber o quanto ele cheirava a talco para bebês.

Os bons modos nos ensinam a dizer “prazer” quando somos apresentados a outras pessoas. Pois a verdade é que, se conhecêssemos de verdade cada uma das pessoas que nos é apresentada, se soubéssemos as coisas que passam por suas cabeças, se ouvíssemos as coisas que falam ao telefone quando estão sozinhas, se pudéssemos acompanhá-las, sem sermos vistos, ao longo de um dia inteiro, se você pudesse me acompanhar ao longo de um dia inteiro, “prazer” seria a última palavra na qual pensaria ao me conhecer. Sou um pervertido, um viciado, um babaca incapaz de sentir algo além de desejo por qualquer mulher que cruze o meu caminho. Por outro lado, erram aqueles que me acusam de ser frio e egoísta. Eu amo meu filho, e eu penso no bem dele. Justamente por isso, não fiz a menor questão de pedir para que Bruna ficasse por perto. Justamente por isso, não tenho a menor dúvida: ele vai ser alguém melhor crescendo longe de um canalha feito eu.

Parte 2

novembro 16, 2007

Fui para a sacada como se não houvesse mais ninguém ali naquele apartamento. Olhava para os prédios à minha frente, e para as pessoas e carros que passavam logo abaixo, sem conseguir me fixar em nada. Mãos e pernas tremiam ainda mais do que o de costume enquanto eu tentava sem sucesso entender o que realmente estava se passando ali.
Parado e mudo do lado de fora do apartamento, eu teria fumado um maço inteiro de cigarros caso não tivesse abandonado o vício alguns poucos meses antes. Por sorte, guardava uma garrafa de vodca barata em algum lugar da cozinha. Nunca uma porcaria como aquela foi tão necessária quanto naquele momento. Não fosse por conta da vodca, teria ficado ali naquela sacada, mais trêmulo e pálido que o habitual, talvez até anoitecer.

Primeiro passei por todo o apartamento, em direção à cozinha, olhando fixo para o chão. Só depois de dois copos bem servidos, com o terceiro em mãos, foi que consegui voltar para a sala. Ela ainda estava lá, é claro. Estava sentada em um dos cantos do sofá, com o rosto vermelho de quem já havia chorado, esfregando as palmas das mãos sobre suas coxas como fazia sempre que ficava nervosa e me encarando fixamente como se perguntasse “e agora, o que nós vamos fazer?”.

Até parece que tínhamos alguma alternativa.

Antes de qualquer coisa eu precisava me acostumar com a idéia. É claro que eu queria ser pai! A questão não era essa. Mas… sabe quando você está ouvindo Five Leaves Left, e quando Three Hours termina, você pula para Day Is Done ao invés de simplesmente deixar Way To Blue rolar? Não é que você ache a música ruim, só não é a que você está afim de ouvir naquela hora.

Moramos juntos por três meses, acho, mas estávamos separados havia umas duas semanas quando ela veio me dar essa notícia. Ela tinha ido para a casa de uma amiga. Aliás, em pouco mais de um ano, havíamos terminado pelo menos umas quatro vezes, e é possível que eu esteja sendo gentil nessa contagem.

Eu gostava dela. Eu realmente gostava dela. Quer dizer… gostava da companhia, gostava da segurança que era ter alguém por perto, gostava do sexo, gostava de ouvir o que ela havia entendido quanto aos filmes que assistíamos juntos. Mas, ainda assim, às vezes me cansava. Cansava do som da voz, do cabelo despenteado e do rosto inchado ao amanhecer, dos pés dela batendo contra minha canela naquela cama que insistia em parecer pequena. Cansava das mesmas frases, dos mesmos agrados, das mesmas surpresas que nunca surpreendiam mais ninguém além dela mesma. Cansava de ir sempre para os mesmos lugares com a mesma companhia. E era aí que a coisa toda desandava. Era aí que eu desligava o celular, ia pra outro lugar, saía com outras pessoas e, no dia seguinte, quando ela se achava no direito de me cobrar, a mandava para a puta que pariu e voltava a ser solteiro até o dia em que ela me ligava pela madrugada e me pedia pra subir. No fim das contas, a verdade é que ela sempre sentiu por mim algo bem mais forte do que consegui sentir por ela.
Mas que ninguém me acuse de não ter tentado! Talvez até por falta de vontade de sair por aí procurando outra pessoa (uma pessoa que quisesse passar mais que duas horas do meu lado), por preguiça, mas sempre tentava.

– Eu vou mesmo ser pai?
– Foi o que eu disse.
– Sério mesmo? Quer dizer, você tem certeza?
– Claro que tenho! Estou atrasada, fiz exame…
– Mas… é meu mesmo?
– É claro que é seu, seu filho da puta!
– Ah, é…
– Fala alguma coisa, caramba!
– Puta merda, eu vou ser pai!

Bruna voltou para o apartamento na manhã seguinte. E por aproximadamente um ano e meio, ficamos juntos e relativamente bem. O que não necessariamente significa que, por uma dúzia de vezes, eu não tenha me cansado dela e daquela barriga enorme. Dela e dos malditos desejos. Dela e do enxoval do bebê, e da escolha de nomes. E era aí que a coisa toda desandava. Era aí que eu desligava o celular, ia para outros lugares e saia com outras pessoas.

Ours – Medication

novembro 15, 2007

Já não lembro mais quando foi a primeira vez que ouvir Ours, ou mesmo quem me recomendou. O que lembro foi de ter visitado o site Kill The Band e baixado alguns bootlegs de Jimmy Gnecco e companhia, que tocaram incessantemente por aqui durante um bom tempo.
Por esses dias encontrei o disco Distorted Lullabies, de 2001, no slsk, e ele não tem parado de tocar por esses lados.
O fato é que nem mesmo Radiohead com seu (fantástico e melhor álbum) The Bends entendeu tão bem Jeff Buckley e seu Grace quanto o Ours de Jimmy Gnecco em Distorted Lullabies (que remete ao Mystery White Boy até na capa).

Quer uma prova?

“We’ve taken medication / So we can run away from / Another day…”

Parece que em março do ano que vem sai o terceiro álbum da banda, que levará o nome de Mercy (Dancing for the Death of an Imaginary Enemy).

Uma boa pessoa

novembro 11, 2007

– Você não esperava que eu fosse me sentar aos pés da sua cama e fizesse massagens nas suas pernas, não é mesmo?!
– Não, claro que não!
– Então qual é o problema?
– Não é isso, quer dizer… só pensei que você poderia ficar um pouco mais por aqui…
Sorrio com ar de você sabe que isso não vai acontecer, e enquanto calço meus tênis me vejo sentado aos pés da cama. Por alguns segundos deixo minha mão tocar sua canela, e isso é o mais próximo de uma massagem que sou capaz, que estou interessado em fazer.

Aline não é má pessoa. Longe disso. Na verdade, ela até que é bacana demais para acabar apaixonada por um canalha como eu. Mas isso, é claro, é algo que nunca vou dizer.
Bem que eu queria evitar o dia de hoje. Bem que finjo que não a vejo, mas é difícil escapar de alguém quando essa pessoa atravessa a rua e senta do seu lado em uma lanchonete. Não tem como fugir de algo assim. Não dá pra limpar a boca, sorrir, cumprimentar, se levantar e sair. Eu posso até passar longe de ser o cara mais simpático do mundo – na verdade, eu posso até passar longe de ser qualquer coisa parecida com simpático – mas não a deixaria falando sozinha.

É sempre a mesma história: blábláblá, você está sumido, etc. Não importa se você vai sempre aos mesmos locais, se faz sempre as mesmas coisas – toma sempre os mesmos ônibus, compra pão, todo bendito dia, na mesma padaria, alivia seus resfriados e compra seus preservativos sempre na mesma farmácia. Simplesmente não interessa. Sempre vai aparecer alguém para reclamar do quanto você não dá notícias, não aparece mais e todas essas coisas. E essa, hoje, é Aline.
Com seu jeito rápido de falar, e sua mania levemente irritante de tocar meu braço a cada três frases, ela pergunta sobre meu filho (“morando com a mãe lá na cidade dela”), minha ex-esposa (“é, separamos há um tempo, aí ela foi embora e levou o garoto junto”), meus maus hábitos (“estou devagar, mas digamos que não sou propriamente alguém que se poderia chamar de bom exemplo.”) e toda a minha vida nos últimos oito meses. Diz “não acrediiiiito” e me faz repetir algumas vezes uma espécie de resumo em ordem cronológica dos Grandes Acontecimentos do tempo em que ficamos sem nos ver. Algo do tipo: “É, nós brigamos. Daí ela quis voltar. Aí acho que ela percebeu que se três anos de convívio e um filho não foram suficientes pra me fazer sentir por ela algo relativamente próximo do que ela sentia por mim, nada mais faria. Aí fui pra um apartamento menor. Aí consegui um emprego aqui perto”, etc. Penso em completar com “aí estava lanchando em paz quando você atravessou a rua e veio aqui me atrapalhar”, mas deixo pra lá.

Uma coisa que eu, de vez em quando, admiro nas pessoas é a capacidade de ignorar por completo as opiniões e as reações de outros diante de seus atos ou palavras. Somado ao largo e sincero sorriso, e à forma como ela prende seus cabelos deixando uma pequena mecha solta do lado esquerdo do rosto, talvez esse seja um dos charmes de Aline: a capacidade que ela tem de abstrair e continuar falando enquanto tudo que consigo é lhe retribuir com olhares de suposto espanto, palavras monossilábicas e sorrisos em canto de boca.

Penso melhor e percebo que talvez não tenha sido ruim ser abordado por ela assim do nada, bem na hora em que resolvo lanchar antes de seguir meu caminho. Penso melhor e deixo de lado as palavras monossilábicas (as troco por frases e perguntas clichês), e em pouco tempo sei que ela adorou “aquele filme que tem as músicas daquele carinha do Pearl Jam”, que tem um cara de nome composto que não é propriamente seu namorado (embora a leve para jantar todo final de semana), que se forma no final do ano e que comprou “um livro sobre blues… daquele cara de Anti Herói Americano”, mas que está sem tempo e ainda não o leu. E quando menos percebo estou no apartamento dela, com a desculpa de pegar o livro emprestado.

Livros, CDs, filmes, festas e outra meia dúzia de assuntos antes que jeans e camisetas se misturem pelo chão, e antes de uma estranha conversa sobre massagens e sobre minutos a mais, que não chegam a acontecer.

Essa é minha primeira semana de trabalho nesse bairro, num edifício a quinze minutos do condomínio onde Aline mora. A partir de amanhã, tomo outro caminho, passo por outra rua, pego outro ônibus e sumo, por oito meses ou mais.

Aline é uma boa pessoa. Eu é que não sou.

O bastante

novembro 6, 2007

Duas da manhã, ruas vazias, desertas, mas iluminadas. Fecha o guarda-chuva, diminui os passos e se sente melhor assim, se sente bem enquanto o frio sereno cai sobre seus ombros.
“And it’s hard to live and its hard to die, and it’s hard to give your heart away”. Onde foi que ouviu isso? Não consegue se lembrar. Em todo caso, “Viver é foda, morrer é difícil” também lhe vem à cabeça. Sabe que Renato tinha lá sua razão, e pouco importa se não há, pelo menos não durante essa noite, pelo menos não depois de fraudar olhares e sorrisos, alguém para quem possa, alguém para quem queira completar com o verso seguinte. Precisamos de nós mesmos. Manter os pés no chão, manter a mente em ordem. Nada lhe parece ser mais necessário que isso.

Amor não é o suficiente.
Essa é a única certeza que tem depois das últimas horas. A única certeza depois das últimas garrafas, depois de ouvir as lamúrias de um velho e sumido amigo, vivendo sua triste mudança de rotina, seu primeiro fim de semana na condição de solteiro, depois do término de um longo namoro de quase quatro anos.
Eles se amaram durante todo esse tempo, não?
Ele foi para casa bêbado, triste e com os olhos marejados.
Eles se amavam até o começo do mês, até duas semanas atrás.
Ela? Com esse tempo, com essa chuva que teima em cair de quinze em quinze minutos, é provável que sequer tenha saído. É provável que tenha ficado calada em seu quarto, ouvindo os cds que ganhou de presente ao longo desses anos, vendo suas fotos ou ainda aquelas peças estranhas feitas de durepox retorcido que fizeram juntos e ousaram chamar de artesanato.
É claro, eles ainda se amam nesse exato instante. Mas… que diferença isso faz? Não é tudo, não basta, não é… o suficiente.

Ainda digere a história do amigo. E pensa em como é estranho ouvir outra pessoa dizer que “teria sido mais fácil se tivéssemos brigado”, frase tão familiar.
Foram os livros. E os filmes. E todos aqueles malditos discos. “Não existe plenitude”, ele pensa. “E é melhor que nos acostumemos com a idéia. É melhor não pensarmos no assunto. É melhor… deixar o barco correr.”

“I will always, go by your side / but it’s hard to get drunk tonight / and It’s hard to smoke your mothers cigarettes / afraid of stealing / afraid of lying / afraid of losing my mind”. Ainda não lembra de quem era, mas tem quase certeza: era assim que terminava a canção.

Os amigos de Damien Jurado

novembro 2, 2007

Sabe o Damien Jurado? Aquele gordinho emburrado de Seattle, beeem menos conhecido do que deveria, influenciado por gente como Bob Dylan, Nick Drake, Lou Reed e outros, dono de pelo menos uma dúzia de grandes álbuns. Aquele cara que teve uma banda chamada Coolidge lá no começo dos anos 90 ao lado de um sujeito chamado David Bazan (já perdi a conta de quantas vezes o nome desse cara já apareceu aqui no blog…), que anos mais tarde gravaria sobre a alcunha de Pedro The Lion.

Pois Jurado tem amigos talentosos. Bem talentosos. E que gravam álbuns de audição bem mais fácil do que ele próprio (e nesse caso não estou falando de David Bazan).
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Numa dessas buscas por canções raras que só uma tarde chuvosa é capaz de proporcionar, me deparei com uma gravação ao vivo para a música First In Line, de um sujeito chamado Thomas Denver Jonsson, com a participação de Damien e de Rosie Thomas (mais sobre ela daqui a pouco). Perfeita o suficiente para me fazer procurar pelos álbuns do sujeito no slsk, além de procurar informações sobre ele, que até onde me lembro, jamais havia ouvido falar.
Sueco, nascido em 1979, Jonsson gravou Hope To Her, seu primeiro álbum, em 2003. Depois lançou o EP First In Line, no ano seguinte, e os álbuns Barely Touching It e The Lake Acts Like An Ocean (algumas canções desse álbum podem ser ouvidas no myspace do sujeito), respectivamente em 2005 e 2007.

Apesar de sua voz lembrar bastante a do amigo norte-americano da terra do grunge, Jonsson é mais afeito às gaitas e slide guitars, o que, de uma maneira geral, o deixa mais próximo de nomes como Jay Farrar e Neil Young do que de Nick Drake (influência maior de Damien Jurado no álbum And Now That I’m In Your Shadow, lançado no ano passado) por exemplo.
Até onde pude ver, não é muito fácil achar links para seus discos. Mas nada que um pouco de paciência com programas como slsk e emule não resolvam. E além do mais, dá para ter uma pequena prova e baixar algumas faixas direto do site do cara.
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O nome de Rosie Thomas é (ou pelo menos deveria ser) conhecido por aqueles que apreciam o trabalho do gordinho emburrado, graças aos duetos ao vivo e vocais adicionais em diversas faixas e mesmo o vocal principal como o da bela Parking Lot, do álbum Ghost of David, de 2000 (apesar de ter sido essa última a responsável pelo contrato da moça com a Subpop, vale lembrar que Rosie teve um passado “pré-Damien” com a banda Velour 100 durante os anos 90).
Seus álbuns (When We Were Small, de 2002, Only With Laughter Can You, de 2003, If Songs Could Be Held, de 2005, e These Friends of Mine, de 2007 – com direito à cover de The One I Love, do REM, com participação de Sufjan Stevens) não são menos do que extremamente belos. Coisa fina, fácil de ouvir, daquelas que você dá o play, ouve do começo ao fim e põe pra repetir… algumas vezes (clique aqui e tenha uma prova).
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Então faz assim. Aproveita o feriado (hoje vai chover mesmo…) e corra atrás desses dois nomes: Thomas Denver Jonsson e Rosie Thomas. Ou três, caso você não conheça Damien Jurado. Ou quatro, caso não conheça Pedro The Lion. Ou cinco, caso não conheça Sufjan Stevens. Ou seis…