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abril 30, 2008

Manhã sem sol.
É cinza, faz frio. E chove…
Da janela para fora,
Da janela para dentro.

No frio das ruas

abril 1, 2008

Gosto do clima daqui nessa época do ano. E das ruas vazias, quase sem sons – exceto pelos grilos, e pelos cães que latem ao longe.
Gosto da solidão, da possibilidade de andar às duas da manhã sem ter que levantar o rosto ou tirar as mãos dos bolsos para um aceno, um “olá”, um cumprimento nada sincero para pessoas que não me importam existir ou não.
O que é cruel, e ainda assim às vezes penso, é que nada é eterno. Que esse é o meu mundo, é meu céu, meu inferno. E que “adeus” vai ser para sempre “adeus”, que quem partiu não haverá de retornar, e quem ficou, jamais terá um tempo, um tempo mínimo sequer, para dizer cada palavra que, por alguma razão, preferiu, na hora certa, guardar somente para si.

Disso eu não gosto. Mas penso.
***

Dobrava esquinas sem saber se estava mesmo no caminho correto. Perdi meu norte, a direção. Guardei minha dignidade no fundo de uma gaveta, entre lembranças, cartas, um relógio de pulso antigo, fotos… fotos dos meus velhos e esquecidos sorrisos.

Contava passos, me apoiava em muros.
Não é sempre tão quieto, tão vazio, tão sem vida por aqui?

Já não sei se aconteceu ou se era eu quem imaginava. Meus olhos embaçados doíam, meus ouvidos, meus pobres ouvidos quase surdos, nada confiáveis…
Havia tanta névoa no ar, havia tanto ar em meio peito, que em meio à noite fria do início de abril, pensei ter ouvido sua voz me chamar, jurei ter visto seu vulto a me seguir.

Tolice.
Você já não mora mais aqui.