Archive for the ‘jornalismo’ Category

Melhores do ano – Scream & Yell

janeiro 15, 2008

Sairam as listas de melhores do ano segundo o Scream & Yell. Depois dê uma passada lá pra conferir.
Os top 7 são resultado da opinião de 91 vontantes, incluindo a minha.
***

E a boa dessa semana? Quinta-feira lá no Oi Futuro, lançamento do cd da Columbia. =]

Anúncios

Paracambi Literária

dezembro 1, 2007

Sábado, 1º de dezembro. Terceiro dia de realização da Paracambi Literária, uma festa que celebra o teatro, a música e (claro) a literatura, através de uma série de bate papos com autores, atores e outros, na (minha não tão querida) cidade de Paracambi, interior do Rio de Janeiro.
Realizado na antiga Fábrica Brasil Industrial (Rua Sebastião Lacerda s/nº, Centro) o evento, idealizado pela ONG Casa do Conhecimento, produzido pela Água Grande e patrocinado pela Petrobrás, que vai até amanhã, contou, nos dois primeiros dias, com a presença de gente do calibre de Bia Bedran, Moacyr Scliar, Affonso Romano de Sant’anna, Martinho da Vila (esses dois últimos em um excelente bate papo informal, mediado pelo professor Júlio Diniz e pelo poeta Victor Loureiro), Eucanaã Ferraz, Tonico Pereira e Ferreira Gullar (numa apresentação memorável). E terá ainda a participação de Roberto DaMatta (às 17 horas de hoje), Anna Márcia Mixo, Sérgio Resende (ambos às 19 horas de hoje, em apresentações separadas), Kledir Ramil e Pasquale Cipro Neto (respectivamente às 17 e 19 horas de amanhã).
Tudo com entrada franca, é bom frisar.

Bom seria que ações como essa, que partem de iniciativas do terceiro setor (justiça seja feita: a prefeitura local até que ajudou… cedendo o espaço) se repetissem em outras regiões também carentes de alguma coisa, cidades onde nada acontece, como é o caso de Paracambi. Bom seria, inclusive, que ações como essas não precisassem, sequer, partir de iniciativas do terceiro setor.

Blips & Blops

novembro 28, 2007

Carlos Eduardo Lima, jornalista, autor do livro Vestido de Flor e, como ele mesmo gosta de se definir, fã de “silly love songs há muito, muito tempo”, pede pra avisar que está voltando com a coluna Blips & Blops lá no site da Rock Press.
De cara, um texto que trás considerações sobre o retorno do The Police (no embalo da apresentação que a banda fará no Maracanã), e sobre quem são os leitores de matérias sobre música pop (e é aí que CEL mostra a razão de ter minha admiração).
Uma prova:

(…) Quem é você? Qual a sua relação com a música? O que você espera dela? Parece que chegamos a uma encruzilhada no Brasil (e no mundo, claro) quando o assunto é leitor de matérias sobre música pop: ou o cara é um indie chato, pretensioso, metido a saber tudo, turbinado pela conexão de banda larga que o pai, fã de Roberto Carlos e Alcione, paga em casa, ou é aquele protótipo do “roqueiro”, que as emissoras de televisão gostam tanto de falar sobre, quando o assunto é manchetes de consumo de drogas ou alguma arruaça.
(…) Ou o sujeito ouve NX Zero e Pitty ou ele ouve Suburban Kids With Biblical Names (banda sueca de extra-ultra low-fi). Cadê o meio-termo? Cadê a noção de que o novo não é recente e sim inédito?(…)


Leia o texto na íntregra que é melhor.

Armandinho, você tem franja?

outubro 8, 2007

Pêlos, mudanças na voz, mudanças nas curvas, hormônios, hormônios, hormônios. Adolescência é aquela fase cheia de clichês em que a gente acha que deixou de ser criança e pensa que começo a ser adulto. Adolescência é a palavra de ordem quando o assunto é o tema central do Dibob, a profundidade nas letras de Armandinho e o público presente na reunião de banda + cantor realizada pela versão carioca do Estúdio Coca-Cola, no Hard Rock Café, na noite de sete de outubro.

Passam das cinco. Duas filas na entrada. De um lado, uma urbe de meninos e meninas. Se somadas e divididas as idades, uma média de 16 anos, no máximo. De outro, os convidados. Meia dúzia de vencedores de promoções, mais a “imprensa convidada” – alguns blogueiros, uma repórter da Rede TV! e seu cameraman.
Entramos e, após uma volta de reconhecimento, vamos ao que realmente interessa: a comida e a bebida da área vip (repleta de pseudo-celebridades mirins, do tipo ex-atriz de Turma do Didi, aquele garoto que fez o filho do Alexandre Borges naquela novela lá e aqueeele que interpretou gêmeos naqueeela novela da Record). Faltam vinte minutos para as sete, hora marcada para o início dos shows. Pastéis de queijo, latas de refrigerante e alguns chopps depois, estamos prontos para irmos aos camarins.

Ou não.

Ninguém é propriamente o que possa se chamar de fã de nenhuma das duas atrações do evento. Ninguém sabe muito bem o que perguntar aos caras do Dibob, os primeiros entrevistados, quando alguém resolve descontrair:
– Como foi pra vocês vencerem o VMB?
– Cara, a gente nem foi indicado…
– Ué, não?! Mas vocês não são o Nx…
Nós rimos. Eles ficam sérios. A piada foi boa, vai… mas deixa pra lá.
Ensaios: “nós, o Armandinho e o percursionista”. Sublime, Bob Marley e outros gostos em comum. Troca de experiências: “ele me ensinou a tocar reggae, de cima pra baixo, de cima pra baixo…”. Medo: “ele queria uma versão mais pesada de Ursinho de Dormir, mas a gente achou mais legal deixar mais com a cara dele mesmo”. E isso é tudo.
– Anota o nome da banda aí: é Dibob. – eles brincam.
Como assim? Não é Forf… ah, melhor não perguntar.

– Cara, sério mesmo que você era gago?!
– E além de gago, ago-gora eu to-to sem voz. – responde o rouco, simpático e (nem tão) ex-gago Armandinho.
Contando com esse, nos últimos meses, o senhor Antônio Armando foi atração em três Estúdios: o primeiro, em junho, ao lado do Nx Zero, exibido pela MTV (e repetido em Recife, em setembro, em um evento sem ligação com a Coca-Cola); o segundo, em setembro, na versão paranaense do estúdio, ao lado do Fresno, em Londrina; e esse agora, no Rio, ao lado do Dibob. “Guinada emo no som, Armandinho?” – alguém pergunta em tom de brincadeira.
– Cara, na verdade eu nem sei o que é emo.

Tudo bem, Armando. Pra todos os efeitos, ninguém sabe. Não tem como falar de Fugazi e Embrace pro garoto-franjão de 17 anos que passa por perto nesse momento. Não tem como falar de Mineral ou Hot Water Music para uma versão tupiniquim de Jack Johnson que diz que não faz reggae (“Eu faço música pop. Tem uma levada praieira, algo de reggae, mas é música pop”) e que, no alto de seus 37 anos, tem como sucesso algo tão adulto quanto Ursinho de Dormir. Fica por isso mesmo: ninguém aqui sabe o que é emo.

– Esses encontros só vêm a somar. A faixa-etária do nosso público é a mesma. A gente também faz muita música romântica
Palavras dele. Então tá…

Acabou o tempo, ele precisa tirar fotos. Mas… diz uma coisa:
– Debaixo desse boné aí, Armandinho, você tem franja?
Ele ri e mostra que não. Mas bem que poderia…
***

E o show? No fim, é o que menos importa. Mas justiça seja feita: surpreendente e inesperadamente bom. Em especial pela primeira parte, quando o Nx, digo, a For…, o Dibob sobe ao palco, despeja quase uma hora de isso-seria-muito-bom-em-um-saral-de-colégio, incluindo aí uma versão bem bacana para Open Your Eyes, do Snow Patrol. Algo muito mais honesto e interessante do que o que um Dinho Ouro Preto de camisa regata balindo “Fala aí, moçÁáÁádaAaAaA”, ou uma Xuxa quarentona cantando “Todo mundo tá feliz, todo mundo quer cantar” poderia fazer.

Enquanto Armandinho apresenta sua parte solo, dedicamos maior atenção à mesa de salgadinhos e às latinhas de energético e tentamos descobrir quem é quem entre as pseudo-celebridades mirins (“Aquela ali faz Zorra Total”, “aquele outro foi filho do Pasquim numa dessas novelas das sete”, “esse baixinho aí é alguma coisa também… eu acho”, “esse cameraman da Rede TV! é aquele garoto que fez o DDD da Embratel…”). A banda é boa, e isso é tudo.

O encontro no palco. Convenhamos: nem com muito bom humor e boa vontade dá para se esperar grandes coisas de Desenho de Deus e Ursinho de Dormir. Ou de um (já esperado) cover de Jack Johnson. Mas os covers para Ela Disse Adeus, Pensamento e Redemption Song (de Paralamas, Cidade Negra e Bob Marley, respectivamente) até que funcionam. E o evento chega ao fim pouco antes das dez.
***

Pais se aglomeram na saída do Hard Rock Café e no primeiro piso do Città America aguardando para levar seus pequenos para casa, em segurança.
Ah, a adolescência! Aquela fase cheia de clichês em que você sai, assiste seu show, vê sua garota e volta para casa às dez, afinal, logo você entra em prova, e seus pais não gostariam que você perdesse aula amanhã. Você tem que estudar, você tem que crescer. Não pode ficar nessa de chegar aos 40 pensando ter 16.

Desce 1 Lead, Medo & Delírio e divagações sobre sentimentos

setembro 24, 2007

Mais uma dica, mas dessa vez não tem relação com música.

Seguinte: um grupo de seis estudantes do quarto período do curso jornalismo da PUC-Rio, na busca de um lugar ao sol, colocaram no ar o blog Desce 1 Lead, onde colocam em prática o que aprendem em sala de aula. Entre as primeiras postagens, destaco a cobertura de uma passeata realizada por alunos da universidade contra a absolvição do padrinho Renan Calheiros, no última quinta-feira.
Vale a pena acompanhar.
***

Finalmente li Medo & Delírio. Em dois dias.
O que eu posso dizer? É muito, muito f*#@! O tipo de livro que quando se começa a ler, não dá para largar.
Melhora se você já tiver assistido o filme (você já assistiu, não?!). Só não saia por aí dizendo que se trata de um livro “bem baseado no filme”. Pega mal…
***

“Amor é besteira. Emoção é besteira. Eu sou uma rocha. Um panaca. Sou um babaca insensível, e tenho orgulho disso.”

Chuck Palahniuk sabe como chocar. Estou terminando de ler No Sufoco e, definitivamente, Victor Mancini, o autor da frase acima, é um dos personagens mais repulsivos que encontrei nas páginas de um livro em muito tempo (nota: Derek Delano, criação da Lolita Pille em Bubble Gum, faz parte de outro departamento, o de personagens babacas, mas geniais). Mas até que dá pra entender (não disse nada sobre concordar com) o lado dele – que, entre outras coisas, freqüenta grupos sexólatras anônimos de vez em quando com a intenção de conseguir parceiras – de vez em quando.

Pense em um relacionamento. Duas pessoas. Duas cabeças. Dois mundos.
Você e ela passam juntos alguns (quase sempre) felizes meses, ou anos. E quando termina você se pega questionando se aquilo tudo foi mesmo real. Ela era de verdade? A pessoa que você foi enquanto estava com ela era uma pessoa de verdade? As lembranças que você tem… será que tudo foi exatamente da maneira como você se recorda?
A questão não é ignorar o aprendizado(mesmo que seja apenas para você saber bem sobre coisas que jamais gostaria de repetir) que se tem ao dividir trechos da sua vida com outra pessoa. O problema é o depois. Para ser mais exato, aquele tempo entre tirar a poeira da relação passada e se apaixonar novamente.

A fase Manciniana: “deixe o amor para os amadores” (pra usar o título do cd dos Rectrovisores como referência).

Mesmo aceitando a idéia de que ser um “babaca insensível” pode nos poupar muitos problemas, não é algo digno de orgulho.
Sou do time dos que acreditam que vale a pena arriscar. Vale a pena torcer para encontrar aquela garota, naquele horário, naquele ponto de ônibus, naquela estação do metrô. Vale inventar desculpas para conseguir o número do telefone daquela prima do seu amigo. Vale a pena bancar o interessado em assuntos que te causam sono só para ver aquela pessoa sorrir. E se suas investidas derem resultados, vale a pena estar ao lado dela, se permitir enxergar as coisas por uma ótica diferente, criar lembranças que, tempos depois, vemos que não foram assim tão verdadeiras.

Acho que é por isso que ando chato ultimamente (ok! eu sou chato, mas quero dizer, mais que o habitual).
Uma pessoa uma vez me disse que fico bem quando estou apaixonado. E se ela tinha razão… talvez eu precise me apaixonar novamente. O quanto antes.

Estúdio, parte 1

setembro 19, 2007

Juntar, em um mesmo palco, duas bandas de trajetórias e estilos distintos. Reler músicas do repertório de ambas e apresentá-las com novas caras. Comer, digerir e regurgitar algo (teoricamente) novo – puro antropofagismo cultural, baby! Sincretismo musical!

Uma boa proposta essa do Estúdio Coca-Cola, não?!
Hmmm… talvez.
Quando a tal mistura inclui nomes como Lenine & Marcelo D2, Nando Reis & Cachorro Grande, Skank & Nação Zumbi, vale pelo menos pela curiosidade.

Por outro lado, quando a mistura inclui Negra Li & Pitty, Armandinho & Nx Zero, Babado Novo & CPM22 – gente tão irrelevante junto quanto em separado (ok! eu até que gosto da Negra Li, e costumo gostar de ver a Cláudia Leite na tevê, desde que não seja cantando…) – o slogan deveria ser algo parecido com “Estúdio Coca-Cola: a arte de misturar artistas que não lhe agradam com artistas que você despreza“.

Pois depois da realização das seis combinações citadas acima (agora na ordem: Lenine & Marcelo D2, Negra Li & Pitty, Nando Reis & Cachorro Grande, Armandinho & Nx Zero, Babado Novo & CPM22 e Skank & Nação Zumbi), a Coca-Cola decidiu realizar novas misturas em diversas cidades do país.

O primeiro dessa série de shows “regionais” aconteceu no primeiro domingo de setembro, no Espírito Santo, levando ao mesmo palco o carioca Marcelo D2 e os capixabas do Dead Fish, com direito a covers para, entre outras, Polícia, dos Titãs, e Eu Quero Ver o Oco, dos Raimundos (dos tempos em que o grupo era algo mais do que uma banda cover de si mesma). Houveram também os de D2 & Ultramen, em Porto Alegre, e Armandinho & Fresno (urgh! indigesto, ein?!), em Londrina.
No próximo dia 07 de outubro, é a vez do Estúdio RJ reunir, no palco do Hard Rock Café, na Barra da Tijuca – tchamtchamtchamcthaaam – Armandinho e Dibob.

Como a própria assessoria faz questão de explicar no fotolog oficial, o evento não é feito apenas para os fãs de Armandinho e Dibob, mas também para quem não tem interesse por nenhum dos dois (caso desse que vos escreve – se por um lado, com um pouco de boa vontade, Dibob pode até soar engraçado, por outro, Armandinho é tão interessante quanto um capítulo de novela do SBT), mas tem alguma curiosidade em saber o resultado da mistura.

E é por essas e outras que, uma vez convidado, confirmo minha presença por lá, 07 de outubro, às 17 horas.

Dica

setembro 15, 2007

Aproveito o gancho da Bienal do Livro, no Rio, para dar uma dica: sabe o livro Medo e Delírio em Las Vegas, do tio Hunter? Já falei dele por aqui antes…
Pois bem. Se por acaso você estiver interessado em comprá-lo (e se por acaso, assim como eu, não vai à Bienal), uma boa é comprar pelo site da Fnac. Tá saindo por R$31,50, pelo menos 10 reais mais em conta do que na maioria das outras lojas (como a Saraiva e mesmo a loja da Conrad, por exemplo).

O meu chegou ontem (e ao contrário do que possa parecer, eu não recebi nada por esse post… alô Fnac!). De quebra, levei também o No Sufoco, do Chuck Palahniuk, e As Horas, de Michael Cunningham (gosto muito do filme! vamos ver o livro).

Agora é por minha leitura em dia. É terminar o que estou lendo e partir para os três que chegaram (um doce para quem acertar qual deles é o primeiro da fila). (=

[Decodificando Ruído]

agosto 20, 2007

Amadurecimento é uma palavra complexa quando o assunto é a trajetória de uma banda ou de um artista ao longo dos anos. Quantos não são os grupos que, por inúmeras razões, encontram seu fim pouco após o nascimento? Ou ainda os que estacionam na adolescência e se negam a sair de lá, passando o resto da vida presos à frases como “seu namorado é isso”, “a culpa é toda sua”, ou – e esse é um caso extremo – “cada poça dessa rua tem um pouco de minhas lágrimas”.
Há também aqueles que, em busca de reconhecimento, respeito, “novas possibilidades” ou seja lá mais o quê, perdem o rumo após um ou dois discos e, como na vida real, chegam à “fase adulta” confusos, perdidos, sem muita certeza de quem se é e de quem se pretende ser.
Felizmente, há ainda aquelas bandas que, com o passar do tempo, aprendem, entre erros e acertos, a burilar suas influências, definir suas pretensões e encontrar sua identidade, tornando-se, enfim, relevantes. Permanecendo entre bandas do underground nacional com lançamentos em 2007, podemos citar três nomes que se encaixam nessa categoria: a goiana Violins, a curitibana Terminal Guadalupe e a carioca Alice.

Alice teve seu início no ano de 2003, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, como um exemplo típico de banda com tudo para dar errado. A começar pelo nome. Formada inicialmente pelos amigos Cícero Lins (guitarra e voz), P.V. (guitarra), Rodrigo Abud (baixo) e Higor (bateria), que tinham em comum a média de 16 anos e o gosto por grupos como Nirvana, Silverchair, Offspring e congêneres, a banda passou um ano atendendo pelo péssimo nome de Mary Jane e tocando canções toscas calcadas no grunge e no punk.
Após a gravação de Demo I, registro dessa primeira fase, a história começa a mudar. Com as primeiras composições gravadas, o grupo percebe que o nome Mary Jane não serviria para representar o novo direcionamento musical pretendido e, na busca por um nome simples, decidem mudá-lo para Alice. É também nesse momento que a banda volta a atenção para grupos como Pixies, Radiohead e Interpol (algo fácil de se constatar através da citação nada sutil de Obstacle 1 na música O Fim, parte da primeira demo da banda), fortes influências no amadurecimento da recém-batizada Alice.
A medida em que a adolescência dos músicos ia chegando ao fim, o grunge da fase Mary Jane e Demo I era definitivamente posto de lado. E foi dessa forma que a banda chegou ao lançamento de Anteluz, em 2005, repleto de bons momentos, tanto nas músicas, quanto nas letras. Cícero, responsável pelas composições, passa a citar nomes de poetas como Carlos Drummond de Andrade e Pablo Neruda, além de compositores como Chico Buarque e Moska (cuja letra de Um e Outro foi assumidamente parafraseada em A Casa Vazia, dos versos “eu falo, você escuta / eu calo, você me culpa / desculpa, desculpa…”) entre suas influências.
Num Rio de Janeiro repleto de pequenos clones de Strokes e imitações baratas de Los Hermanos, Alice começa a se destacar pelo diferencial de suas músicas, ainda mais influenciadas por Interpol, mas também com algo de bandas ainda mais alternativas, como David Bazan e seu Pedro The Lion, por exemplo.

No início de 2007, depois de duas pequenas mudanças na formação (primeiro a adição de mais um guitarrista, Gilson Abud, e a substituição do baterista Higor por Paulo Marinho), Alice lança Ruído, aquele que pode ser considerado seu primeiro registro definitivo e – por que não? – “adulto”.
Gravado no Limongi Stúdio, no Rio de Janeiro, entre fevereiro e maio desse ano, Ruído é a prova do quanto uma banda pode alcançar a maturidade com o passar do tempo. Já nos primeiros minutos 8h00min, música de abertura do novo trabalho, percebe-se que, finalmente, Alice encontrou o seu caminho, a sua cara – impressão confirmada ao longo dos pouco mais de trinta minutos de duração do álbum, diga-se de passagem.

Segundo o dicionário, ruído pode ser entendido como “toda fonte de distúrbio ou deformação de fidelidade na transmissão de uma mensagem visual, escrita ou sonora”. Sendo assim, a banda tomou para si a idéia de criar um disco repleto de efeitos, chiados e outros recursos de “deformação de fidelidade” na transmissão da mensagem. Um dos primeiros pontos a serem observados nesse sentido é o fato de que nenhuma das dez músicas do álbum possui título. Ou melhor, possui. A exemplo de 8h00min, cada uma das faixas é batizada com um horário, como 9h10min, 12h07min e 15h25min. A explicação? De uma maneira não muito simples de entender, o álbum é permeado por uma história que envolve fotografias, pedidos de casamento, uma casa vazia, lembranças… e um personagem se questionando sobre cada um desses pontos ao longo de um dia completo, das oito da manhã à meia-noite e um seguinte.

Ok! De fato a história de Ruído não é das mais fáceis de se entender. Ainda assim, o álbum é repleto de boas letras, de rimas bem construídas e de versos nada óbvios. “Pra cada tombo, um passo / É muito pouco espaço / Pra cada sono, cedo / Pra cada medo, nego / É quase tudo falso”, de 8h00min, ou “As vezes te insulto, Maria / De fato eu não mudo / Pra que jurar se a foto é surda? / Calma…”, de 12h07min (inspirada em Anos Dourados, de Tom Jobim e Chico Buarque, e no poema Caso Pluvioso, de Carlos Drummond de Andrade, que recebem os devidos créditos no encarte) são bons exemplo de como uma banda pode evoluir com o passar dos anos, deixando para trás bobagens como “Atropelamentos são uma coisa normal / Meu presente de natal” e “A vida não é cruel / você que é bom demais”, de Paranóia, presente no registro da primeira fase da banda.
A primeira metade de Ruído já o faz valer a pena. Nela, destacam-se 9h10min e 15h25min, as mais próximas de serem consideradas os “hits” do álbum. A iluminada 15h25min, aliás, recorre à auto-referência para provar que Alice pode apresentar coisas bem mais interessantes do que as que vinha apresentando até então. Sem dúvida uma das melhores composições do grupo, há nela a mesma citação à Obstacle 1 experimentada na já tão distante e inocente O Fim. E assim, a banda remete ao passado para mostrar o quanto mudou de lá pra cá.
A segunda metade do disco, por sua vez, também não faz feio. A começar por 17h12min, de sonoridade shoegazer, que recorre ao mesmo recurso de auto-referência experimentado na faixa anterior – dessa vez com ainda mais clareza, sobrepondo os versos do refrão de O Velho Baú, presente em Anteluz (“Você pode ir embora / e me deixar de fora / voltar pro seu lugar / jogar meu soro fora”), aos versos “Faz de conta que alguém te chamou lá fora / você não vai mais embora? / Vai lá…”, criando um jogo de palavras interessante. Há ainda a curiosa 17h21min (algo entre Radiohead e Los Hermanos, cuja letra põe abaixo os planos de um relacionamento duradouro – e a única não disponível para download na página da banda no Trama Virtual), 20h00min e novos ecos de Anos Dourados, de Tom Jobim e Chico Buarque (cuja melodia remete de imediato), e finalmente o interlúdio 23h59min (composta por dois únicos versos: “Abre a porta pra mim / Abre essa porta pra mim”), que prepara terreno para a suave 00h01min, que encerra o álbum com um clima próximo à Sapato Novo, presente no derradeiro álbum dos Hermanos.

A saída da adolescência e a chegada à vida adulta (bem como todas as dificuldades relacionadas a isso), os novos livros na cabeceira e novos discos no som, os shows feitos após o lançamento de Anteluz, a entrada de mais um guitarrista e a troca de baterista, entre outras coisas, contribuíram para que Alice encontrasse sua maioridade. Impressiona saber que Ruído – um complexo caldeirão em que nomes como Chico Buarque, David Bazan, Los Hermanos, Interpol, Neruda, Sonic Youth, Radiohead, Carlos Drummond de Andrade e outros se misturam e se completam de tal forma que seria injusto apontar apenas um deles como maior responsável pela guinada criativa da banda – é fruto do trabalho de cinco jovens com média de 20 anos de idade.
Felizmente esse não é mais um dos muitos exemplos de bandas que estacionaram na adolescência. Felizmente o grupo que tinha tudo para dar errado, resistiu. E é claro, felizmente, depois de erros e acertos, Alice tornou-se enfim uma banda relevante.

Para quem quiser…

agosto 15, 2007

Vou disponibilizar aqui minha monografia, que teve como título “A Imprensa Musical no Brasil e a Revista Rolling Stone”.
Se alguém quiser baixar, fique a vontade.

Aqui, ó.

Novidades para os fãs do velho Thompson

junho 27, 2007

Um instante com a pornografia. Ou com os debates sobre o novo do Interpol. E sem essa de ficar aí discutindo sobre os playboyzinhos de merda que espacaram a doméstica com a alegação de que “pensaram que fosse uma prostituta”, vai!
Leia essa notícia e abra um sorriso: a Conrad Editora FINALMENTE vai lançar no Brasil uma nova tradução para Fear and Loathing in Las Vegas, de Hunter Thompson. E o melhor, com o apropriado título de… tcharaaaamMedo e Delírio em Las Vegas, ao invés do horrendo Las Vegas na Cabeça, com o qual a Brasiliense batizou sua edição lá nos distantes anos 80.

A nova versão, já em pré-venda no site da editora, traz a tradução de Daniel Pellizzari e as ilustrações originais de Ralph Steadman.

Enquanto isso, nos resta aguardar também o lançamento da versão nacional de Kingdom of Fear, autobiografia do jornalista, cuja tradução feita por Daniel Galera se encontra na geladeira da Companhia das Letras. O lançamento, previsto inicialmente para o segundo semestre deste ano, será PROVAVELMENTE adiado para 2008, me disse, por email, o tradutor (talvez isso seja bom pra mim… recém-formado, desempregado… sem grana pra comprar dois livros assim, de uma vez só…).
Procurei informações oficiais, mas até o momento, nenhuma resposta da assessoria da editora.

Gostou da notícia? Legal. Agora tudo bem, volte a falar mal dos babaquinhas lá!