Archive for the ‘ranhetices’ Category

qual o antônimo de “escapismo”?

maio 2, 2008

Acho que eu nunca quis voar. E Ícaro, bem… ele sempre me pareceu um tanto quanto bobo, prepotente, arrogante.

Diz, pra quê ficar distante? Por que ver as coisas por cima, de longe? A idéia de permanecer no chão, de encarar a realidade na linha do horizonte, sem precisar abaixar ou levantar o olhar sempre me soou muito mais interessante.

Jamais quis ser um pássaro, ser anjo, ter asas – nem de penas, nem de cera. Contento-me em ser humano, em ter os pés no chão.
Meus tombos nunca foram desastrosos, e o sol… esse jamais me fez cair.

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Make a Plan To Love Me

outubro 24, 2007

Se tem algo que sempre achei uma grande palhaçada é a chamada “síndrome do underground“. Coisa de adolescente bobo que quer ser o diferente isso de não querer que ninguém mais no mundo saiba que seu artista favorito existe.
Infelizmente alguns do nomes mais freqüentes no meu playlist (Jeff Buckley, Pedro the Lion, Elliott Smith, Damien Jurado, entre outros) são, muitas vezes, alvos desse tipo de público exclusivista.

Aproveitando o dia chuvoso para organizar uns arquivos aqui, lembrei de outro nome também querido por esses lados, vítima desses fãs injustos e inseguros: o já não tão garoto Conor Oberst, o senhor Bright Eyes.
Caprichoso na produção (“ai, que raivinha do Conor! quero que ele volte pro porão e fique trancado lá se esgüelando com um violão e um toca-fitas velho!”) Cassadaga, lançado no começo do ano, é digno de figurar nas famosas listinhas de melhores do ano (talvez não num top 5, é fato, mas num top 10).

Segue abaixo um vídeo de uma apresentação do sujeito, ao lado da Filarmônica de Los Angeles, gravada no dia 29 de setembro. O vídeo não é lá grande coisa, mas pela música, vale a pena. Coisa fina.

“make a plan to love me sometime soon / life is too short / to be a fool…”

Estúdio, parte 1

setembro 19, 2007

Juntar, em um mesmo palco, duas bandas de trajetórias e estilos distintos. Reler músicas do repertório de ambas e apresentá-las com novas caras. Comer, digerir e regurgitar algo (teoricamente) novo – puro antropofagismo cultural, baby! Sincretismo musical!

Uma boa proposta essa do Estúdio Coca-Cola, não?!
Hmmm… talvez.
Quando a tal mistura inclui nomes como Lenine & Marcelo D2, Nando Reis & Cachorro Grande, Skank & Nação Zumbi, vale pelo menos pela curiosidade.

Por outro lado, quando a mistura inclui Negra Li & Pitty, Armandinho & Nx Zero, Babado Novo & CPM22 – gente tão irrelevante junto quanto em separado (ok! eu até que gosto da Negra Li, e costumo gostar de ver a Cláudia Leite na tevê, desde que não seja cantando…) – o slogan deveria ser algo parecido com “Estúdio Coca-Cola: a arte de misturar artistas que não lhe agradam com artistas que você despreza“.

Pois depois da realização das seis combinações citadas acima (agora na ordem: Lenine & Marcelo D2, Negra Li & Pitty, Nando Reis & Cachorro Grande, Armandinho & Nx Zero, Babado Novo & CPM22 e Skank & Nação Zumbi), a Coca-Cola decidiu realizar novas misturas em diversas cidades do país.

O primeiro dessa série de shows “regionais” aconteceu no primeiro domingo de setembro, no Espírito Santo, levando ao mesmo palco o carioca Marcelo D2 e os capixabas do Dead Fish, com direito a covers para, entre outras, Polícia, dos Titãs, e Eu Quero Ver o Oco, dos Raimundos (dos tempos em que o grupo era algo mais do que uma banda cover de si mesma). Houveram também os de D2 & Ultramen, em Porto Alegre, e Armandinho & Fresno (urgh! indigesto, ein?!), em Londrina.
No próximo dia 07 de outubro, é a vez do Estúdio RJ reunir, no palco do Hard Rock Café, na Barra da Tijuca – tchamtchamtchamcthaaam – Armandinho e Dibob.

Como a própria assessoria faz questão de explicar no fotolog oficial, o evento não é feito apenas para os fãs de Armandinho e Dibob, mas também para quem não tem interesse por nenhum dos dois (caso desse que vos escreve – se por um lado, com um pouco de boa vontade, Dibob pode até soar engraçado, por outro, Armandinho é tão interessante quanto um capítulo de novela do SBT), mas tem alguma curiosidade em saber o resultado da mistura.

E é por essas e outras que, uma vez convidado, confirmo minha presença por lá, 07 de outubro, às 17 horas.

Do Meio

setembro 18, 2007

– Aqui, você malha?
– Aham. Nem parece, né?
– É, não parece…

O ônibus da linha 867, com saída da pequena rodoviária de Campo Grande, Zona Oeste do Rio, parte às 7h55 com destino à Barra de Guaratiba, levando em seu interior os habituais farofeiros de final semana. Gordas de biquini e canga, adolescentes anabolizados, garotas de pírci no imbigo, de pele queimada (no alto da laje) desde a última quarta-feira, pelinhos descoloridos à amônia e cabelos – naturalmente – loiros.
Claro, algumas pessoas devem destoar da maioria. E de fato destoam. Ali está a senhora com óculos fundos-de-garrafa, lendo versículos em sua velha bíblia desbotada, e aqui está o jornalista recém-formado (e desempregado), magro e despenteado, ao lado de sua amiga pequena, magra e com cara de sono (que sabiamente esconde os olhos inchados por trás de seus óculos escuros). E pela palidez de ambos, de longe se pode perceber que a palavra praia não deve ter sido pronunciada por nenhum dos dois nos últimos tempos.

Com a chegada ao ponto final (muitos “cálega”, “é nóis”, “pobrema é meu” e “sá parada” depois), a maioria dos passageiros simplesmente pula da calçada para a areia. Alguns forram sua toalhas e cangas no chão, prontos para uma manhã de sol intenso, outros ocupam seus lugares às mesinhas dos quiosques, sedentos, às 9 da manhã, pela primeira das muitas latinhas de cerveja vagabunda que pretendem sorver ao longo do dia. A minoria (de um lado um grupo formado por um garoto com menos de dez anos, dois caras grandes portando varas de pesca e um gordinho encarregado de levar a caixa de isopor com as bebidas do dia, e, do outro, o magrelo despenteado e magrela baixinha), porém, segue adiante.

O caminho, que começa com um lance íngreme de escadas cimentadas, aos poucos se transforma em uma trilha de terra e pedras. Sobes e desces e “cuidado pra não escorregar aqui” à parte, não se trata de uma caminhada complicada. Considerada por especialistas como uma trilha de dificuldade moderada, qualquer pessoa sóbria e com o mínimo de preparo físico – capacidade de respirar e joelhos firmes – pode se aventurar por ela.
A primeira atração para quem segue por esse caminho é a Praia do Perigoso. Lá embaixo, uma meia dúzia de coloridos guarda-sóis, alguns pseudos-surfistas. Mas todos seguem até alcançarem, mais à diante, a bela Praia do Meio.

Mais guarda-sóis coloridos, saudáveis aventureiros apertando alguns, uma pincher fêmea latindo e correndo de um lado ao outro, alunos de uma escola de surf no Recreio, Pedro Neschling – com seu ridículo bigode – fazendo trilha, grandes ondas arrebentando. Uma praia semi-deserta há pouco mais de uma hora da barulhenta urbe, seus “cálegas”, “pobremas” e suas cervejas baratas (aliás, longe de qualquer tipo de cerveja – e talvez esse seja o único ponto-fraco do local –, mas nada que uma caixa de isopor, como a do precavido gordinho, não possa resolver).

Mergulhos, caminhadas e fotografias. Quatro horas e tantas depois, o magrelo despenteado e magrela baixinha, depois de trocarem o adjetivo “pálidos” por uma pele mais vermelha que morena, resolvem voltar. E, alheios ao fato de terem acordado cedo, alheios aos ônibus cheios fedendo a suor e cerveja choca, trazem no rosto largos sorrisos por um domingo que valeu a pena.

a praia

o magrelo

A mordaça do Robertão

maio 9, 2007

O Takeda, há algum tempo, comparou seu gosto por Caetano Veloso ao seu gosto por pepinos. “Até como um de vez em quando no meio do meu Big Mac. Mas isso não significa que eu goste de pepinos”, disse. Pois para mim, pepino mesmo sempre foi Roberto Carlos. No meio de “Big Macs” até que passam uma ou outra composição, uma ou outra interpretação, alguns arranjos e risadas proporcinadas pela dancinha ao lado do MC Leozinho enquanto esse cantava “Se Ela Dança, Eu Danço” acompanhado por uma orquestra caprichada, fazendo coroas globais perderem a linha na platéia. Pouco importa: a única pessoa com cabelo de poodle que eu já admirei foi MacGyver de Profissão Perigo, mas isso quando eu tinha cinco anos e tentava fazer bomba usando goma de mascar.
E pode argumentar com o que quiser: relevância histórica (comecei um trabalho sobre Tropicália sem ter um único disco do Caê, o que significa que sei dividir gosto pessoal de reconhecimento histórico), recordes de venda (Arctic Monkeys vendem absurdos, mas nem tente me convencer que aquilo presta) e tudo mais: juro que já até tentei, mas não gosto de Roberto Carlos. Não adianta. É fato.

Respeito. Ok! O cara merece respeito assim como qualquer outro ser humano. Merece tanto respeito quanto você, eu, o porteiro do seu prédio, a caixa de supermercado e o biógrafo. Sim, claro. Roberto Carlos merece tanto respeito quanto Paulo César de Arajújo, que você sabe, depois de 15 anos escrevendo a história de um cantor que tinha como ídolo, foi judicialmente proibido de comercializar o resultado do trabalho de uma vida inteira. O doutor mandou e a editora Planeta foi obrigada a entregar para RC cerca de 11 mil exemplares que tinha em depósito, além de ter 60 dias para recolher os exemplares que estão no mercado. Um ato tão estúpido que chegou a arrancar de Paulo Coelho uma declaração sensata (e quer algo mais surreal que uma declaração sensata vinda de Paulo Coelho?!): “Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil”.
Pois eu não vou comprar seus discos, levando em conta que nunca fui mesmo de fazer essas coisas. Mas na condição de alguém que se sentiria extremamente desrespeitado ao ser proibido de comercializar o resultado de anos de dedicada pesquisa e trabalho sério, somo minha voz ao coro dos que se mobilizam contra a injusta e desnecessária mordaça de RC.


baixe Roberto Carlos em Detalhes aqui

Agradecimentos ao Escriba, pela gentileza de divulgar o link.

“Esse é só o começo do fim…”

abril 24, 2007

Desconfiando que havia algo no ar quando soube das notícias do lançamento de um álbum da Orquestra Imperial e de uma participação de Rodrigo Amarante no álbum de Lanny Gordin, escrevi aqui no dia 18 de novembro do ano passado:

Legal que Rodrigo Amarante dê as caras fora dos Los Hermanos, assinando “O Mar e o Ar” no disco da Orquestra e “Evaporar” (comparada a composições de Tom Jobim!) no disco de Lanny;

Legal que os fãs dos Los Hermanos comecem a se habituar com uma banda cada vez “mais de primos” e “menos de irmãos”.
Rodrigo Amarante, com aquele ar avoado e aquela barba (mesmo nessa época de calor infernal), demonstra ser mais sensato do que parece e começa a pensar em outras possibilidades de se ganhar $$ e conquistar novos admiradores sem ter que depender de Marcelo Camelo & Cia para isso.
Vai que um dia os “laços de família” deixam de existir? Eu acredito que esse dia está cada vez mais perto.

Não passava de um texto descompromissado em que eu me deixava levar por uma teoria puramente hipotética, mera especulação.
Pronto! Não precisou mais do que isso para que alguns fanzocas da banda se utilizassem de adjetivos “não muito carinhosos” para me definir.

Como mesmo os comentários educados (coisa que só existiu aqui no blog) e com bons argumentos, na maioria dos casos, discordavam de mim, na semana passada, ao ver a notícia de que Amarante vai gravar com Devandra Banhart, lembrei dessa história e pensei: “pois é… a coisa continua como antes mas a banda ainda está aí”. Achei melhor esperar o quinto álbum dos caras para ver no que ia dar, na esperança de ouvir um puta disco que jogasse por terra a minha “teoria de fim eminente”. Agora porém, para minha surpresa, acabo de redigir a seguinte nota para o site da Rock Press:

Os membros dos Los Hermanos divulgaram ontem no site oficial que a banda entrará em recesso por tempo indeterminado. Segundo a nota, a decisão dessa chamada “separação temporária” foi tomada em conjunto para que os integrantes pudessem se dedicar aos projetos paralelos, e a amizade entre os músicos permanece. “Não houve desentendimento ou discordância que tenha afetado nossa amizade tanto que continuamos jogando truco toda quinta-feira.”, garantem. Antes das “férias” porém a banda se apresenta na Fundição Progresso, no Rio, nos dias 08 e 09 de junho.

Pois é, Silveira, Eduardo Martinez, Leandro, Vinícius Theófilo e Mauricio Abrahão: eu estava mais certo do que imaginava. Acertei até o motivo.

Ah, claro! Boa sorte aos músicos em seus trabalhos paralelos! Tenho minhas opiniões sobre quem vai se dar melhor e tal, mas tudo bem… ainda é muito cedo para esse tipo de especulação.
cabô!

A caixa de recordações

março 28, 2007

Encontro meio ao acaso, sem querer. Dentro de um pedaço amarelado de papel, que um dia já foi algo parecido com uma carta, meio sem brilho, envelhecida.

Foi a primeira, não seria a última.

Tinha 13 anos. Ela, 12. Era inverno e ela, que havia chegado no bairro nas férias de meio de ano, tomava o ônibus duas paradas depois de mim. Com seus cabelos de fios ondulados castanho-claro, presos meio que de qualquer jeito, magra como toda garota de 12 anos deveria ser e metida dentro de seu agasalho verde-vagabundo, subia os degraus me procurando, correndo seus olhos tímidos e talvez tristes por toda a lotação, até me achar.
Eu percebia, claro, mas bobo que era (não que tenha mudado por completo, mas dez anos nos ensinam muitas coisas), sorria apenas. Sorria e a encarava durante quase todos os 15 minutos do trajeto. Por vezes, ela desviava. Por outras, olhava de volta. E então puxava a cigarra e desaparecia em meio à nuvem de estudantes barulhentos.
No ponto seguinte, descia eu. Eu e a nuvem de estudantes barulhentos que estudavam na mesma escola que eu, dois quarteirões após a dela.

Foi assim por mais de uma semana, acho. Mas então um dia, um lugar vago ao meu lado, e ela o ocupou. Sem sorrisos ou encaradas, apenas nós dois, lado-a-lado, olhares congelados em direção a algum lugar que não sabíamos bem onde era, mas parecia ficar há dois palmos à frente de nossos olhos, embora não enxergássemos.
O que eu faço? O que eu falo? O que eu penso?
Nada. Por dúvida, nada. Foi assim desde sempre.
Antes de descer porém, ela, mais esperta que eu, deixou sobre minha perna um pedaço de papel. Olhei rápido para ela, que beijou meu rosto, corou e desceu. Não sem ser alvo de risadinhas e piadas de toda aquela barulhenta turma entre 11 e 14 anos.

O que dizia exatamente não fazia qualquer diferença. Menos de cinco horas depois estávamos numa pequena rua ao lado da escola em que ela estudava. Trocávamos meia dúzia de palavras, corávamos e experimentávamos beijos desajeitados e sarros desengonçados.
No dia seguinte, fomos novamente sentados lado-a-lado. Ela me trouxe uma fotografia, ela na proa de uma barca, olhos apertados por causa do sol, o mar ao fundo. Gostei e guardei.

Aquilo tudo durou uma eternidade: três semanas. Ônibus de segunda à sexta, saída da escola dia sim, dia não. Então ela resolveu que gostava de um garoto da minha rua, não de mim. Ele, um meio babaca e ano mais velho que, vez por outra, tomava a mesma lotação que nós, uma parada antes da minha. Alguns dias depois, era por ele que ela procurava, correndo seus olhos tímidos e talvez tristes por toda a lotação, até achar.
Passei a ir para a escola um pouco mais tarde, e, no alto do orgulho ferido, julguei ter dado o troco certo quando, em pouco tempo, passei a sair com uma menina da sala dela, uma baixinha bem arrumada, de cabelos pretos e lisos, que tinha em seus olhos puxados o maior dos seus charmes.

Isso tudo foi há muito tempo. Depois a vida correu: outras escolas, outros ônibus, não-mais-escolas, garotas novas no bairro e todas as coisas do tipo. Quebrei a cara por dezenas de vezes. E ela também. E as outras também.
Dela, por fim, restou apenas essa foto, e esse papel amarelado, com palavras erradas escritas em letra infantil. As primeiras recordações, não as últimas. De outras, as vezes nada, ou outras fotos, outras cartas (algumas de verdade), livros, CDs, filmes, passagens, ingressos de shows e até um anel e uma pulseira.
Só pequenas bobagens, era uma vez, e isso é tudo o que nos resta afinal. É assim pra todos nós: a sua história também cabe no fundo de uma gaveta.

Estrelas Encobertas

fevereiro 10, 2007

Há uma máxima que diz que todo jornalista musical é um músico frustrado. Se isso é verdade ou não, ao pé da letra, eu não sei. Mas não sou eu quem vou provar o contrário.
Talvez nem todos vocês saibam, mas sou meio que um músico frustrado. Talvez não tão frustrado assim, porque nunca “investi” numa carreira ou coisas do tipo. Já compus algumas coisas, fiz umas 3 gravações mais “sérias”, uma meia dúzia de gravações caseiras (que, pra falar a verdade, são mais legais que as tais “gravações sérias”, mas que nem por isso eu vou mostrar! rs), mas nunca cheguei a acreditar que poderia ganhar algum dinheiro com isso. É um hobby do qual me esqueço durante boa parte do ano, e que só me lembro quando, por exemplo, estou andando pela rua e encontro um amigo (ou uma roda deles) com um violão.

Um dia desses, num desses encontros ao acaso, me fizeram lembrar de uma letra que, modéstia a parte, gosto bastante (a música até que é legalzinha também, mas isso não vem ao caso agora). Se não me engano, foi feita em maio de 2005. A idéia de escrever a coisa mais otimista que o cara mais pessimista do mundo poderia escrever (algo como “o mundo é uma droga, a vida é uma droga, então não pensemos nisso e pode até ser que um dia a gente dê a sorte de conseguir algo de bom!”), em parceria com meu amigo Átila de Carvalho, rendeu isso aqui:

ESTRELAS ENCOBERTAS (JW/Átila)

Tudo fica mais bonito quando fica na lembrança,
Coisas ganham brilho novo quando acaba a esperança
De onde vem essa tristeza?
Será coisa de criança?
Só você sabe, só você sabe com certeza

Quando as luzes apagarem nós veremos as estrelas
Quando você cansar de vê-las,
Talvez o dia amanheça,
Talvez o sol apareça

Se é pra ser fácil pra alguém,
Que seja assim pra você, e não pra mim
Se é pra ser fácil pra alguém,
Que seja assim pra você, e não pra mim
Seja fácil, você sempre foi assim.

Os caminhos que cruzam a estrada têm mais flores
E pedras, buracos, espinhos, cansaço
Não há beleza infinita
Que sustente os derrotados,
Nada é bom o bastante para nos manter sorrindo

E mesmo que hajam nuvens encobrindo as estrelas
Quando você cansar de vê-las,
Talvez o dia amanheça,
Talvez o sol apareça…
Mas só talvez.

Se é pra ser fácil pra alguém,
Seja assim pra você, e não pra mim.
Se é pra ser fácil pra alguém,
Seja assim pra você, e não pra mim.
Nada é fácil. Eu não sei mentir assim.
***

Talvez eu tenha me transformado nesse personagem. Essas linhas dizem muito sobre como tenho pensado ultimamente.
sorria, JW! eu disse pra sorrir... ah! deixa, vai assim mesmo!
***

Ainda estou devendo um retorno decente do blog, mas ainda não consegui. Em todo caso, recebi uns 3 recados pelo orkut de pessoas que nunca vi na vida que diziam ler o blog, apesar de não comentarem. Por causa de vocês, vou tentar tomar vergonha na cara! rs

Mas saibam que quando não tiver nada de novo aqui no blog, com certeza terá aqui, nas notinhas diárias que tenho feito para o site da Rock Press.

O Coração de Ipaum Guaçu

janeiro 1, 2007

Tá com um tempo agora? Um tempo assim… de uma meia hora?

Não sei se você recorda (na verdade, não sei nem se você ficou sabendo!) do documentário que fiz para a faculdade há alguns meses. Chamava-se “O Coração de Ipaum Guaçu” e era sobre três caras que subiam um local muito pouco explorado da Ilha Grande: o Pico da Pedra d’Água.

Eu era um dos caras.

Se você tiver a mínima curiosidade em assistir isso (melhor dizendo: a mínima curiosidade em me ver necessariamente derrotado), aproveita que upei o material.


O vídeo termina com a frase “escalamos a montanha e descobrimos a nós mesmos”. Sinceramente, até hoje não sei de que me serviu isso tudo (a não ser pra gabaritar a disciplina de produção de doc. tv). Subimos e descemos (ainda que eu duvidasse que conseguiria fazer essa segunda parte) e isso não nos torna nem um pouco diferente de quem sempre viveu e sempre vai viver “debaixo do edrodon, cercado entre quatro paredes”.

“Descobrirmos a nós mesmos”? Balela!

Hoje, agora.

dezembro 31, 2006

Nós seres humanos temos a mania besta de acreditar que algo vai ser diferente depois de um ciclo de 12 meses. “Os meus dezenove anos”, “os meus vinte”, “em 2003”, “em 2004”…  aniversários, viradas de ano, feriados variados. Nos escondemos atrás de calendários como se eles tivessem alguma estranha espécie de poder mágico, alguma forma de fazer com que os doze meses seguintes, contando a partir daquele momento, possam ser melhores que os doze meses que passaram.

Como podemos ser assim tão… inocentes? Sua vida foi melhor esse ano? Legal! Sua vida será EXATAMENTE a mesma amanhã! Você será a mesma pessoa e tudo o que vai realmente mudar será aquele último número na data do seu cheque.

Repita comigo: Nada no mundo vai mudar. Nada no mundo vai mudar. Nada no mundo vai mudar.
A esperança é um falso remédio quando todos os fatos mostram que nada caminha rumo a dias melhores.
***

Tudo bem que, pesando tudo, não tenho muito do que reclamar do meu ano de 2006. (Da mesma forma que, sei lá, 1999, ou 2002) Meu 2005 foi uma droga. Até 31 de dezembro de 2005, uma droga. Assim como 1º de janeiro de 2006, 2 de janeiro de 2006, 3 de janeiro de 2006… e, até as coisas se acertarem, foi assim mais alguma meia dúzia de dias – em seqüência ou perdida ao longo dos 365 dias do calendário amassado com o escudo do Botafogo que guardei dentro da minha carteira.

Não espere que “o ano novo traga muita paz”. Busque a paz AGORA, e amanhã (que só por um acaso será dia 1º de janeiro de 2007), e depois, e depois, e depois.
Não espere que as portas se abram em 2007. Lute para que elas se abram NESSE EXATO MOMENTO!
Não deixe para ser feliz em 2007! Seja feliz hoje! Comece agora, comece… todos os dias.
***

Eu agradeço pelas amizades que surgiram em 2006, e desejo que permanceçam comigo por quantos anos mais forem possíveis. Eu agradeço pelo amor que surgiu em 2006, mas que poderia ter surgido antes e que deve se renovar no passar de cada dia. Eu agradeço por ter saúde, hoje, agora. E… já que nós humanos temos a mania besta de acreditar que um novo ciclo de doze meses é algo assim tão… especial, capaz de nos fazer gastar nosso tempo para falar sobre eles, então… eu desejo à vocês, meus amigos, meus parentes, meu amor, meus conhecidos, estranho leitor anônimo e até mesmo àqueles que, por uma ou outra razão, fazem parte da minha lista de desafetos, toda saúde, paz e força de vontade. Não em 2007, mas hoje, nesse instante, amanhã e sempre.

Feliz todos os dias!